Prefácio 10 Sobre isso, cabe citar o pensamento de Nicolelis sobre a condição do cérebro humano diante da realidade de delegarmos quase tudo à instrução que as máquinas nos dão. Conforme o autor quando o cérebro humano é exposto às novas condições ou transformações do mundo exterior, em particular as experiências de prazer, de maneira geral ocorre um início de processo de autor reformatação imediata da microestrutura orgânica interna, para que ele (o cérebro) possa usar a informação “nova” no seu tecido neural como um guia para definir comportamento e ações (Nicolelis, 2020). Portanto, quando delegamos à máquina cotidianamente tarefas que julgamos “menos” importantes, como ir de um ponto A para um ponto B, na cidade na qual vivemos, as vezes no bairro em que vivemos, como forma de aumentar a eficiência na escolha do melhor caminho, estamos sendo levados pela tecnologia. De tal forma que a previsibilidade limita a nossa capacidade de aprendermos com o acaso e com o erro. Isso faz com que diminua a chance de nos perdermos, mas também, diminui a possibilidade de criarmos alternativas durante o processo. Ou seja, ao ganharmos tempo, não nos damos o direito de perdermos tempo para criarmos respostas diante dos processos e variáveis que vida nos apresenta. A possível resultante deste processo é a falta de atenção, pois o caminho já está posto. Mas, Nicolelis vai além, e alerta para o fato de estarmos cada vez mais utilizando a forma de uma lógica binária para nos comunicarmos com o mundo, para tomarmos decisões. Isso forçosamente poderá desencadear uma remodelagem do nosso cérebro, tanto na forma de pensar e de agir que será influenciada por esta lógica binária. Portanto, podemos perguntar, será que estamos treinando a IA ou sendo treinados por ela? Como dito anteriormente, nem tanto apocalíptico nem tanto integrados, devemos pensar, olhar com criticidade e os textos que se seguem neste livro trazem esta oportunidade. Desde as questões que envolvem o Direito e a Regulamentação de IA’s, passando pelas questões territoriais, até propostas que colocam em diálogo poéticas e política, desde a perspectiva da memória e dos acervos reelaborados costurando umdiálogo entre o espaço digital e o espaço físico. Os textos apontam as aplicações, ocorrências e problemáticas oriundas da realidade fatual de que a IA é transversal aos processos jurídicos que organizam a nossa sociedade e que cada vez mais precisam ser
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