107 Mateus de Oliveira Fornasier, Fernanda Viero da Silva e Marco Antonio Compassi Brun Tendo em vista esse questionamento, temos como hipótese preliminar que esse “impulso humanitário” na era das máquinas, quando orientado por princípios éticos inclusivos e críticos, pode promover o desenvolvimento de tecnologias de IA que respeitem a diversidade e a complexidade social. No entanto, na ausência de um escrutínio crítico e plural, esse mesmo impulso pode ser instrumentalizado para justificar práticas algorítmicas que consolidam narrativas identitárias hegemônicas e perpetuam novas formas de desigualdade, vigilância e controle. Neste artigo, argumenta-se que o problema fundamental da IA não reside em sua suposta falta de humanidade, mas nas intenções e estruturas que orientam sua criação e uso. A tecnologia, mesmo em seus processos mais autônomos, é sempre um reflexo de seus criadores e dos contextos sociopolíticos nos quais está inserida. Assim, a ideia de que “o homem deve estar no controle” precisa ser reavaliada, pois, em determinadas circunstâncias, o ser humano pode ser o principal agente de risco e descontrole. Com isso, estruturamos o presente estudo em trêsmomentos. Iniciaremos pela compreensão de noções relativas ao pós-humanismo e à sociedade complexa, na sequência abordaremos questões relacionadas ao controle humano significativo na operação da IA confrontando-as com noções de narrativas identitárias sociais. Por fim, avaliaremos os caminhos para uma ética algorítmica reflexiva. Para tanto, a presente pesquisa surgiu a partir de uma técnica de investigação teórica, uma vez que se trata de uma pesquisa exploratória que vai se pautar no conhecimento de bibliografias básicas e fundamentais para sua execução e desenvolvimento, sendo assim, portanto, bibliográfica-documental. Seu método procedimental e de abordagem é qualitativo; e quanto ao seu objetivo geral temos que a presente pesquisa será do tipo exploratória uma vez que visa ao aprimoramento de ideias a partir da mencionada técnica bibliográfica-documental. A metodologia desenvolvida logo, é a hipotético-dedutiva. 2. O PÓS-HUMANISMO E A SOCIEDADE COMPLEXA A sociedade é complexa. E para além desse status quo, ela ganha novos contornos e dilemas antigos ganham novas roupagens con-
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