Inteligência artificial e algoritmos

109 Mateus de Oliveira Fornasier, Fernanda Viero da Silva e Marco Antonio Compassi Brun gere um estágio futuro da humanidade, um “depois” do que conhecemos como humano e sua história pode ser compreendida a partir de diversas áreas, como a literatura e a biopolítica, que ajudaram a moldar preocupações sobre o futuro da humanidade (Miah, 2008, p. 71). É valido mencionar também que o pós-humanismo, como base teórica ou plano de fundo de uma pesquisa, pode e é rotineiramente usado tanto para argumentar tanto a favor quanto contra o uso de aprimoramentos tecnológicos nos humanos. Cenários alternativos, como o modelo “on the loop”, destacam a coprodução entre humanos e não-humanos, desafiando a lógica de dominação tradicional, enquanto modelos não-antropocêntricos, como o “out of the loop’”, sugerem a possibilidade de inteligências não-humanas governarem além dos parâmetros humanos (Mellamphy, 2021, p. 19-21). Diante desses aspectos, torna-se evidente que as tecnologias digitais, principalmente as que prescindem de programação humana (como a IA) estão em constante expansão e integram a rotina diária de milhões de pessoas, muitas vezes de forma imperceptível. Além disso, essas tecnologias desempenham um papel fundamental na construção social do indivíduo, influenciando suas relações amorosas, profissionais, familiares e até mesmo sua interação com o espaço e o ambiente (Lupton, 2015, p. 188). Os avanços baseados em dados impulsionados pela IA estão transformando as sociedades, e surgiramchamados por umusomais responsável e ético das tecnologias para lidar com os temores relativos aos impactos negativos destas ferramentas emergentes, particularmente no contexto da IA e da robótica (LaGrandeur, 2020, p. 95). Ainda, discursos globais têm emergido em torno do conceito de “controle humano significativo” (Garcia, 2019; Jacobson, 2017, p. 2), e filósofos defendem que robôs podem ser projetados para agir eticamente e, portanto, deveriam ter direitos portanto (Gunkel, 2018). Com isso, no contexto pós-humanista e em meio a sociedade complexa, a humanidade pode ser compreendida como parte de uma rede interconectada de agentes humanos e não-humanos, em que as fronteiras entre o natural e o artificial se tornam cada vez mais tênues. Nesse cenário, o “impulso humanitário” (Mellamphy, 2021, p. 13) se apresenta como uma via de mão dupla: por um lado, ele inspira esforços para desenvolver diretrizes éticas que orientem o uso da IA em prol da dignidade humana, combatendo desigualda-

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