Inteligência artificial e algoritmos

A armadilha ética do “impulso humano” (a)crítico na era da inteligência artificial: reflexões éticas e desafios no pós-humanismo 112 elemento organizador que gera confiança e reduz os riscos. Além disso, ele destaca que a globalização envolve não apenas aspectos econômicos, mas também políticos, tecnológicos e culturais. No que diz respeito à construção da identidade, pode-se afirmar que ela está profundamente conectada à memória, que dá significado aos processos de subordinação. Essa subordinação, ou forma de controle, caracteriza-se como dominação. Como destaca Freitas (2019, p. 21-22), as mudanças na identidade na pós-modernidade ocorremdemaneira fragmentada e desigual, o que pode comprometer a própria noção de identidade individual. Isso ocorre porque memória, escala e poder simbólico influenciam diretamente a transformação dessa percepção no contexto social. Dentro dos elementos identitários que se vinculam à memória e às formas de poder simbólico, talvez o mais significativo seja o discurso. Como já apontava Michel Foucault (1999, p. 53), o discurso não é apenas um meio de comunicação, mas também é a forma de “violência que fazemos as coisas”, ou seja, capaz de estruturar relações de poder e moldar subjetividades. É nessa prática que os acontecimentos do discurso encontram o princípio de sua regularidade. Além disso, os discursos, enquanto mecanismos de enunciação, possuemprocedimentos internos que reforçamo controle, estabelecendo princípios de classificação, ordenação e distribuição. Esses mecanismos buscam submeter outra dimensão do discurso: “a do acontecimento e do acaso” (Foucault, 1999, p. 59). Nesse contexto, o discurso não é apenas um reflexo das lutas ou sistemas de dominação, mas também um objeto de disputa, um poder que se deseja conquistar. A institucionalização do discurso confere-lhe funções de exclusão e interdição. E essa noção e resgate teórico são fundamentais quando percebemos que na era digital, os discursos são controlados e direcionados para aqueles que atendem aos critérios estabelecidos pelas políticas de interação dos ambientes virtuais. O processo de modulação não exige a criação de um novo discurso, imagem ou enunciado; basta identificar e direcioná-los a segmentos específicos da rede, conforme critérios estratégicos de impacto e objetivos previamente definidos (Silveira, 2020, p. 21). E por modulação podemos nos utilizar do conceito abordado por Gilles Deleuze em sua análise das sociedades de controle

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