Inteligência artificial e algoritmos

113 Mateus de Oliveira Fornasier, Fernanda Viero da Silva e Marco Antonio Compassi Brun como um elemento fundamental para compreender a comunicação no capitalismo neoliberal. Segundo Silveira (2020, p. 21), a modulação funciona como um recurso-procedimento no mercado de dados pessoais, inserindo-se na cadeia microeconômica da interceptação dessas informações. O processo inicia-se com a captura ou coleta de dados, seguida pelo armazenamento e classificação. Posteriormente, a análise e a criação de perfis possibilitam a agregação de múltiplos bancos de dados, viabilizada pelo Big Data. Com essa cadeira de acontecimentos e estruturação fica evidente que a era digital e o próprio contexto pós-humanista propiciam novos contornos para a organização política e identitária dos sujeitos sociais ao reformulando antigas dinâmicas de dominação e influência. Como já antecipávamos a título de hipótese preliminar, dilemas históricos ressurgem sob novas roupagens, mantendo-se operantes mesmo em novas configurações tecnológicas. Os antigos simbolismos e mecanismos de poder não desaparecem, mas se reconfiguram, muitas vezes de forma difusa e imperceptível. A digitalização amplia e diversifica essas formas de controle, tornando o exercício do poder menos visível, mas não menos eficaz. Dessa maneira, a era digital e suas ferramentas não apenas reproduzem estruturas de dominação, mas também as rearticulam, reforçando a centralidade do discurso como instrumento de poder simbólico. No que tange a IA, a violência muitas vezes está presente desde a própria geração dos dados, inserida nas estruturas essenciais para o funcionamento dos algoritmos. Dessa forma, a violência ocorre antes mesmo da criação de perfis ou da segmentação de informações pelos algoritmos. Além disso, a violência semiótica pode se manifestar quando os conjuntos de dados transitamentre diferentes práticas, atravessando não apenas fronteiras geopolíticas, mas também contextos sociopolíticos e limites temporais, como na transição entre usos civis e militares (Bellanova et al., 2021, p. 145). Os algoritmos, frequentemente percebidos como neutros e objetivos, são, na realidade, construções sociais que carregam os valores, ideologias e perspectivas de seus programadores. Isso ocorre porque todo algoritmo precisa ser programado, e essa programação reflete as narrativas identitárias e culturais dos desenvolvedores que a realizam. Assim, a ideia de que os algoritmos operam de maneira

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