119 Mateus de Oliveira Fornasier, Fernanda Viero da Silva e Marco Antonio Compassi Brun pela ideologia hegemônica. Ao mesmo tempo, a construção de uma sociedade alternativa exige um espírito de resistência e um projeto político fundamentado em valores e objetivos que o “mercado” não reconhece nem tem interesse em promover. Dessa forma, ao colocar a política acima das supostas “leis naturais” do mercado será possível evitar que a globalização neoliberal deixe de ser apenas uma ameaça à democracia para se tornar sua própria ruína. Ademais, quando figuras públicas polarizadoras ou ideologias extremistas estão envolvidas no desenvolvimento ou aplicação de tecnologias, os riscos de abuso se ampliam. Colocar a tecnologia “nas mãos do homem” sem delimitações críticas é arriscado, especialmente em um cenário global em que “homens contra homens” define as dinâmicas de poder e conflito. O “impulso humanitário”, longe de ser neutro, pode funcionar como uma ferramenta de dominação, mascarando desigualdades sob o discurso de “ética”. Sandvig et al. (2015, p. 4) destacam que, no passado, críticos culturais analisavam as decisões de seleção feitas pelas indústrias de mídia sem recorrer, por exemplo, à engenharia reversa da neurobiologia dos executivos de televisão ou editores de jornais. Da mesma forma, embora “o algoritmo” tenha se tornado um conceito central no imaginário público, parece razoável que os pesquisadores da chamada “cultura algorítmica” — termo cunhado por Galloway em 2006 — possam investigar as implicações da incorporação da computação aos sistemas de mídia e informação, adotando uma abordagemmacro para os sistemas sociotécnicos. Nesse sentido, há um campo significativo de conhecimento a ser explorado ao examinar o funcionamento dos algoritmos em sua forma reduzida, bem como os aspectos técnicos internos de códigos computacionais específicos (Sandvig et al., 2014, p. 4). A partir dessa perspectiva, surgem questionamentos como: “faz sentido perguntar se um algoritmo é antiético?” ou “o algoritmo deve ser um foco central de análise jurídica ou ética?” Além disso, essas reflexões nos levam a considerar a relação entre algoritmos, violência e controle social na era digital. Muitas novas organizações e parcerias surgiram ao redor do mundo para enfrentar uma série de desafios relacionados à ética da IA, como viés, disparidades de gênero, monitoramento explícito e encoberto em espaços públicos/privados, uso desigual e abusivo
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