Inteligência artificial e algoritmos

A armadilha ética do “impulso humano” (a)crítico na era da inteligência artificial: reflexões éticas e desafios no pós-humanismo 122 quências em função da celeridade e praticidade que ela apresenta. Até porque os riscos maiores podem ser arcados por grupos e minorias específicas quando determinadas narrativas identitárias totalizantes estão no poder. A diversidade de perspectivas e experiências fornece uma riqueza imensa a qualquer produto e sistema. A ética da IA ainda precisa de muito trabalho para incorporar a sabedoria e os valores de diferentes culturas, enquanto passa por seus desafios iniciais e expande-se a partir de seu estado atual, fortemente centrado nos Estados Unidos e no Ocidente” (Hickok, 2020, p. 42-43). Na perspectiva que ofereci aqui, a “IA ética” precisaria considerar de forma mais explícita abordagens diversas, orientadas criticamente e especulativamente, para explorar completamente as limitações do antropocentrismo. O “impulso humanitário” acrítico subjacente às propostas atuais de ética para uma IA centrada no humano, por mais bem-intencionado que possa ser, sugere que a ética da IA atual será limitada por ummodelo de controle “in the loop” que sanciona hierarquias sociais, políticas e econômicas, exclusão e subjugação (Mellamphy, 2021, p. 12). Logo, nos parece uma visão limitada desconsiderar noções concorrentes de controle humano ao debater a ética da IA. Nesse sentido, a importância do diálogo e do debate interdisciplinar não pode ser subestimada. “Os desafios que surgememrelação à IA atravessam linhas disciplinares e são complexos demais para serem resolvidos por qualquer tipo único de expertise” (Borenstein; Howard, 2021). A governança da IA apresenta desafios que vão além da mera compreensão de seus ecossistemas e do direcionamento de seu uso para o benefício coletivo. É necessário identificar os agentes envolvidos, garantir que as práticas algorítmicas sejam submetidas ao escrutínio público e exigir que empresas implementem sistemas de auditoria eficazes. Essas auditorias, por sua vez, devem refletir um processo mais inclusivo e diverso, tanto na concepção quanto na programação das tecnologias. A diversidade nesse contexto não é apenas uma questão de representatividade, mas um fator essencial para mitigar vieses e reduzir riscos sistêmicos. No entanto, mesmo com um ambiente mais diversos, os enviesamentos algorítmicos não serão completamente eliminados, pois as próprias minorias

RkJQdWJsaXNoZXIy MjEzNzYz