Inteligência artificial e algoritmos

123 Mateus de Oliveira Fornasier, Fernanda Viero da Silva e Marco Antonio Compassi Brun também possuem narrativas identitárias e buscam a promoção de seus interesses coletivos (Taylor, 1992). Diante dessa realidade, é um equívoco esperar que a IA forneça soluções homogêneas para toda a sociedade. A complexidade social é composta por múltiplos coletivos, cada um com suas próprias pautas e demandas. Por isso, a representatividade deve estar presente não apenas nas auditorias, mas também no próprio processo de idealização dos algoritmos e, principalmente, no escrutínio público contínuo. Alémdisso, a criação de legislações mais rigorosas é fundamental para enfrentar a opacidade algorítmica — a incapacidade de compreender e reverter determinadas decisões automatizadas — que, atualmente, se aproveita de lacunas regulatórias para operar sem transparência (Colombo; Goulart, 2021, p. 275). A realidade é que os dados, os computadores e os modelos preditivos continuarão a desempenhar um papel central na gestão de instituições, na alocação de recursos e na organização da vida cotidiana. Diante disso, é imprescindível que a matemática e a democracia não sejam instrumentalizadas para perpetuar formas sistêmicas de discriminação e violência algorítmica. A sociedade merece mais do que resultados produzidos a partir de narrativas totalizantes; merece um ecossistema digital que reflita a pluralidade de interesses e a justiça social, garantindo que a tecnologia sirva como ferramenta de equidade, e não de reforço a desigualdades estruturais. Para que o impulso humanitário não se transforme em uma armadilha ética, é necessário um diálogo contínuo e inclusivo sobre os valores que devem orientar o desenvolvimento e o uso da IA. Esse diálogo precisa considerar a diversidade de perspectivas e reconhecer os riscos de soluções tecnológicas que, embora bem-intencionadas, podem reproduzir desigualdades históricas. O pós-humanismo, nesse sentido, oferece uma oportunidade para repensar as relações entre tecnologia, humanidade e ética, priorizando a complexidade e a interconexão sobre a simplificação e o controle. 5. CONCLUSÃO O presente artigo objetivou em linhas gerais discutir a dualidade do “controle e centralidade” humana na atuação da IA rompendo com uma lógica aparentemente obvia de que a IA tem que

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