A armadilha ética do “impulso humano” (a)crítico na era da inteligência artificial: reflexões éticas e desafios no pós-humanismo 124 ser pautada no homem para mitigar riscos. Na realidade, se trata de uma via de mão dupla: o homem é a chave para mitigar os riscos que ele mesmo causa. Com isso, observamos que o avanço das tecnologias de IA tem reconfigurado as fronteiras entre humanos e máquinas, suscitando discussões acerca da centralidade humana nos sistemas tecnológicos. A ascensão da IA na contemporaneidade levanta questões éticas e filosóficas profundas, especialmente quando examinada à luz do pós-humanismo. O conceito de “impulso humanitário” — a disposição de utilizar tecnologias avançadas para mitigar o sofrimento humano e promover o bem-estar coletivo — é uma força que pode tanto moldar o uso responsável da IA quanto gerar novas problemáticas éticas, sociais e políticas. Por um lado, a ênfase em uma “IA centrada no humano” reflete um impulso humanitário crítico, mas também acrítico em suas limitações, ao perpetuar hierarquias e lógicas de controle. Por outro, o pós-humanismo emerge como uma perspectiva que questiona a ruptura triunfalista do antropocentrismo, propondo cenários em que humanos dividem ou até cedem o controle significativo às máquinas. Este texto explorou os dilemas éticos e as tensões entre o domínio humano e as possibilidades de um futuro não-antropocêntrico, confrontando questões de poder, responsabilidade e autonomia em um mundo cada vez mais mediado por inteligências não-humanas. Logo, a hipótese preliminar restou comprovada uma vez que o “impulso humanitário” na era das máquinas carrega um potencial transformador, mas também exige vigilância crítica. Somente por meio de uma abordagem ética reflexiva e inclusiva será possível navegar os desafios do pós-humanismo, evitando que as promessas da IA se convertam em novas formas de opressão. Nesse contexto, o verdadeiro desafio não é apenas técnico, mas profundamente humano: como coexistir com as máquinas de maneira que amplie, em vez de restringir, a liberdade e a dignidade humana. Portanto, este artigo buscou romper com a narrativa simplista de que a presença humana é, por si só, um fator de mitigação de riscos tecnológicos. Em um mundo onde o ser humano é tanto o agente quanto a vítima das principais crises sociais, éticas e políticas, é fundamental questionar quem, de fato, exerce o controle,
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