165 IMPACTOS COGNITIVOS DO USO DE IA: IMPLICAÇÕES NA FORMAÇÃO ACADÊMICA E DESENVOLVIMENTO INTEGRAL DO SER HUMANO Cláudio Felipe Kolling da Rocha1 1. INTRODUÇÃO Aespéciehumanasediferenciadasdemaisexistentesemnosso planeta, em especial, pela sua capacidade criativa, exemplificada pela sua evolução científica, tecnológica e social (Lancaster, 2024). Tal capacidade surge como fenômeno emergente de estruturas moleculares, celulares e teciduais complexas que, embora não únicas ao cérebro humano, ali estão presentes em quantidade e flexibilidade suficientes para, quando devidamente estimuladas e provocadas, gerarem resultados únicos, sejam pela sua originalidade como pela complexidade e dimensão. Em outros termos, embora vejamos uso de ferramentas, organização social complexa e compartilhamento geracional de conhecimento emmuitas espécies, o processo evolutivo encontrou seus maiores níveis de plasticidade e desenvolvimento cerebral na espécie humana, sendo essas capacidades retroalimentadas pelas suas próprias criações ao longo do tempo (Wynn; Coolidge, 2016). À medida que passamos a documentar e sistematizar a geração e aplicação do conhecimento, dos processos criativos e das estruturas sociais, esse sistema de retroalimentação positiva passou a gerar, e ainda gera, uma expansão logarítmica das capacidades da humanidade como espécie (Galesic et al., 2023). O termo retroalimentação positiva é um conceito central da fisiologia e será utilizado com frequência ao longo do presente tra1 Doutor, Mestre e Biomédico em fisiologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Atua como Professor Adjunto de Fisiologia e Biofísica na Universidade Feevale. Coordena o Grupo de Trabalho em Inteligência Artificial (IA) e o grupo de estudos Laboratório Criativo de Docência e IA na mesma instituição, bem como na formação docente e discente para uso ético e positivo de IA. DOI: https://doi.org/10.29327/5734110.1-8
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