Inteligência artificial e algoritmos

Impactos cognitivos do uso de IA: implicações na formação acadêmica e desenvolvimento integral do ser humano 166 balho. Dessa forma, cabe destacar que o positivo da retroalimentação não se refere a um efeito benéfico, mas sim a um efeito de estimulação e potencialização. Em outras palavras, um estímulo inicial desencadeia um efeito que amplifica o estímulo inicial que, por sua vez amplifica o efeito levando a um ciclo de potencialização exponencial (Koeppen et al., 2024). Parte central do desenvolvimento tecnológico, cultural e social da humanidade é a substituição de comportamentos, habilidades, regras sociais e manifestações culturais ao passo que novos conhecimentos, tecnologias, percepções de coletivo e comportamentos emergem. Alguns exemplos desse fenômenode evoluçãohomem-ambiente podem ser vistos em habilidades antes ubíquas, como a capacidade de trabalhar a terra para produção de alimento ou, mais recentemente, a habilidade de memorizar contatos telefônicos em nossa própria memória, passando a ser habilidades cada vezmais raras. A substituição de habilidades e comportamentos é uma consequência esperada e necessária no ciclo evolutivo humanidade-ambiente, pois permite o redirecionamento de recursos cognitivos antes ocupados por tarefas estabelecidas como prioritárias, para o desenvolvimento de novas habilidade e conhecimentos, uma vez que as tarefas anteriores foram otimizadas por novas tecnologias, conhecimentos e percepções. Como consequência natural do ciclo evolutivo alimentado pela interação cérebro-ambiente, buscamos a criação de análogos artificiais das faculdades que nos tornamhumanos. São inúmeras as ferramentas, não necessariamente recentes, que exemplificam tal busca. Sistemas de computação analógica, computação digital, softwares de análise de dados, recursos de Inteligência artificial usando bigdata/ data science até chegarmos à tecnologia que motiva a presente discussão: algoritmos de redes neurais aplicados a ferramentas de inteligência artificial generativa. Essa tecnologia tem especial destaque no contexto aqui apresentado pois tenta mimetizar o funcionamento do neurônio, célula central no processamento de dados no cérebro humano, com o objetivo de imitar a capacidade criativa e geradora de conhecimento que nos diferencia como espécie (Baba, 2024). A partir desse contexto se delimitam as questões centrais do presente trabalho: considerando-se que as inteligências artificiais generativas são uma tentativa de mimetizar o fenômeno emergente que nos identifica como humanos, desde sua concepção algorít-

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