Inteligência artificial e algoritmos

Impactos cognitivos do uso de IA: implicações na formação acadêmica e desenvolvimento integral do ser humano 168 lizados no processamento e condução de informações sob a forma de potenciais elétricos, enquanto as células da glia mantém um ambiente estável e adequado para seu funcionamento. Embora ainda haja espaço para questionamentos, aceita-se que a relação neurônio:glia no cérebro humano seja cerca de 1:1 (Von Bartheld, 2018). O consenso mais atual estima que o cérebro humano tenha aproximadamente 86 bilhões de neurônios e cerca de 85 bilhões de células gliais (Jernigan; Stiles, 2016). Considerando a importância de se compreender o funcionamento das células nervosas e gliais para a premissas e hipóteses aqui apresentadas, nos próximos parágrafos iremos explorar de forma simplificada seus mecanismos de funcionamento com foco na neuroplasticidade e aprendizagem. A característica base de funcionamento do neurônio é sua capacidade de produzir o que chamamos de potenciais de membrana, um fenômeno descrito pelo processo de bioeletrogênese. Os potenciais de membrana se caracterizam pela diferença de cargas elétricas entre as faces internas e externas da membra que delimita a célula, sendo as cargas representadas por íons como sódio, potássio, cloreto e cálcio. Nos intervalos de processamento de informação, o potencial de membrana do neurônio é negativo, ou seja, ele apresenta um maior número de cargas negativas na face interna da membrana celular, estando com maior número de cargas positivas na face externa. A esse potencial damos o nome de potencial de repouso que funciona como ponto de partida ou linha de base para as alterações de potencial que representam o processamento de informação (Bear; Connors; Paradiso, 2025). Em busca de uma analogia para tornar esse conceito mais didático, podemos pensar em uma corda de um instrumento. A corda intocada representaria o estado de repouso e as vibrações da corda ao ser tocada seriam as informações elétricas que se originam como alterações desse estado inicial. Diferentes tipos de provocações elétricas podem ser geradas a partir desse estado de repouso. Quando ocorre a entrada de mais cargas negativas ou a perda de cargas positivas para o lado de fora da célula, resultando em uma face interna da membrana celular mais negativa do que o repouso, em um fenômeno chamado hiperpolarização, interpretado pelo neurônio como um estímulo inibitório. Em outras palavras, a célula entende que deve permanecer inativa e que informações não devem ser propagadas. No sentido oposto, quan-

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