169 Cláudio Felipe Kolling da Rocha do a células ganha cargas positivas ou perde cargas negativas, seu potencial de membrana se torna menos negativo podendo, inclusive, atingir valores positivos, em um fenômeno que denominamos de despolarização. A despolarização é percebida pela célula nervosa como um estímulo excitatório, convocando-a a propagar informações (Bear; Connors; Paradiso, 2025). A informação propagável na célula nervosa se dá por um tipo específico de potencial de membrana chamado de potencial de ação, que se caracteriza por uma série de eventos encadeados conhecidos popularmente como impulso nervoso. Existem algumas regras para que esse potencial seja evocado na célula nervosa: primeiro os estímulos externos devem retirar a célula do seu estado de repouso em direção a valores levemente menos negativos de forma a atingir um nível mínimo chamado de limiar. Quando esse nível é atingido a região da membrana celular responsável permite a entrada de grande quantidade de cargas positivas invertendo o potencial da membrana para um valor bem positivo. Em sequência imediata há uma grande saída de cargas positivas retornado a célula a seus valores negativos característicos do repouso. Todo esse processo se dá em um tempo aproximado de dois milésimos de segundo, sendo que a intensidade da informação propagada se dá pelo número de vezes que esses eventos são repetidos por segundo (Kandel et al., 2021). No próximo estágio de complexidade, precisamos compreender como as nossas 86 bilhões de células nervosas interagem entre si. Os neurônios trocam informações através de estruturas complexas chamadas de sinapses. As sinapses são divididas em dois tipos funcionais distintos: sinapses elétricas e sinapses químicas. A primeira é mais simples, rápida utilizando troca direta de cargas elétricas como meio de informação, geralmente com objetivo de sincronizar os impulsos nervosos de grupos neuronais. Já a segunda apresenta complexidade consideravelmente maior, envolvendo mecanismos de conversão da informação elétrica, características das células nervosas, em liberação de mensageiros químicos chamados neurotransmissores. Os neurotransmissores, por sua vez, atuam em receptores na membrana do neurônio que está recebendo a informação, desencadeando uma resposta elétrica e bioquímica nessa célula. Inúmeras substâncias atuam como neurotransmissores, cada uma com seu conjunto específico de receptores que levam a
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