Impactos cognitivos do uso de IA: implicações na formação acadêmica e desenvolvimento integral do ser humano 170 consequências diversas nas células que estão recebendo a informação. São exemplos de substâncias neurotransmissoras mais comumente conhecidas a serotonina, a dopamina, noradrenalina e acetilcolina. Ainda é importante destacar que essas sinapses podem estar mediando a formação de circuitos neuronais locais, onde os neurônios estão próximos e restritos a regiões mais específicas do córtex cerebral, ou circuitos difusos, onde cada neurônio pode enviar suas projeções para grandes áreas do córtex cerebral e núcleos mais profundos. Para este último tipo, o efeito costuma ser majoritariamente de modulação dos circuitos locais e sincronização e conexão de porções do encéfalo (Bear; Connors; Paradiso, 2025; Kandel et al., 2021). Começamos a ter uma perspectiva da complexidade desse sistema quando verificamos que cada célula nervosa faz em média de 7 a 10 mil sinapses, sendo que os neurônios de projeção podem chegar a 100 mil sinapses ou mais. 86 bilhões de células fazendo em média 7 mil sinapses nos leva a estimativa de que, apenas no córtex cerebral humano, temos mais de 160 trilhões de sinapses (Tang et al., 2001). No entanto, as conexões sinápticas não se resumem a presença ou ausências, o local em que ela se conecta a célula nervosa muda drasticamente a intensidade da resposta evocada. Ainda, a estrutura molecular da sinapse pode ser reforçada para apresentar maior ou menor peso na intensidade das informações sendo passadas, através de processos como a potenciação de longa duração, que depende da estimulação repetida da sinapse para se consolidar (Suszkiw, 2012). A arquitetura sináptica cerebral é extremamente dinâmica, se ajustado ao uso e às experiências. Mecanismos moleculares complexos são desencadeados à medida que a célula sofre repetidas hiperpolarizações e/ou despolarizações. O uso repetido de circuitos neurais garante que altas frequências de potenciais de ação sejam gerados e que as conexões sinápticas que o constituem sejammolecularmente reforçadas, garantindo que ativações subsequentes gerem impactos cada vezmais significativos na célula receptora. Nesse contexto, as células gliais apresentam papel central na estabilização e reforço das conexões através de mecanismos de sinalização locais. É justamente da interação dinâmica entre essas 86 bilhões de células através de mais de 160 trilhões de sinapses operando centenas de vezes por segundo que emergem as funções cognitivas e execu-
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