Inteligência artificial e algoritmos

171 Cláudio Felipe Kolling da Rocha tivas humanas. São os estímulos recebidos através dessas diversas sinapses, uma porção com desfecho inibitório, outra porção com desfecho excitatório, que definem o padrão de disparo da célula receptora. Ainda cabe destacar que a posição da conexão sináptica na célula receptora bem como peso da informação entregue, estabelecido pelas alterações moleculares emdecorrência do uso e interação com as células gliais, adicionammais níveis de complexidade a esse sistema (Kandel et al., 2021). Com a base funcional estabelecida, vamos mergulhar um pouco no processo de plasticidade e aprendizagem. Plasticidade cerebral se refere a capacidade do cérebro de se adaptar às demandas e experiências do meio, se reestruturando para gerar respostas adaptativas às mudanças do ambiente (Puderbaugh; Emmady, 2023). É uma estratégia evolutiva altamente eficaz, uma vez que confere às espécies uma ampla capacidade de enfrentarem ambientes dinâmicos e instáveis para os quais uma adaptação fixa inicial poderia gerar grande sucesso, mas acabaria levando a resultados devastadores à medida que o meio sofre mudanças. Para clarear esse conceito, podemos pensar na própria história da espécie humana. Na ausência de um cérebro plástico e capaz de aprender com o ambiente teríamos sido incapazes de nos adaptar aos diferentes climas e ecossistemas que hoje ocupamos. Como espécie desenvolvemos roupas, técnicas de cultivo e conservação de alimento que nos permitiram migrar para os mais variados locais. Mas o que em nosso cérebro o torna tão plástico? Para responder tal questionamento precisamos analisar os processos adaptativo do cérebro em dois momentos distintos: o cérebro em desenvolvimento e o cérebro adulto. O mais alto nível de plasticidade é encontrado no cérebro em desenvolvimento uma vez que as adaptações se dão em diversos níveis. Temos a proliferação celular dando origem a novos neurônios e células gliais, a migração de células para novas regiões para serem incorporadas em novos circuitos de processamento de informação, a seleção e morte programada de células neurais com objetivo de refinar os circuitos mais utilizado e o rearranjo de conexões sinápticas para formação de circuitos funcionais complexos (Geden; Romero; Deshmukh, 2018; Ismail; Fatemi; Johnston, 2017). Essa ampla variedade de processo é essencial para maximizar a adaptabilidade ao ambiente extra útero.

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