Inteligência artificial e algoritmos

Impactos cognitivos do uso de IA: implicações na formação acadêmica e desenvolvimento integral do ser humano 174 mento do paciente, para uma abordagem centrada na doença, com uso de exames laboratoriais e de imagem, trazendo uma revolução para o atendimento em saúde com detecção precoce e tratamentos mais bem direcionados (Carlos; Josephs, 2023). Em contraponto, as habilidades requeridas para um diagnóstico ancorado na relação médico-paciente tendem a se perder. No entanto, dada sua importância, nota-se um movimento de resgate de tais habilidades visto que a abordagem centrada na doença não é suficiente para quadros complexos e para um atendimento humanizado (Green; Carrillo; Betancourt, 2002), exemplificando a dinamicidade das relações humana com suas próprias criações. É importante notarmos que o processo evolutivo, em especial o mediado pela interação entre o cérebro e a tecnologia, não será necessariamente em prol de um estado mais eficiente e mais bem adaptado. Um exemplo importante e contemporâneo dos efeitos de valor adaptativos negativo que a tecnologia pode ter sobre o cérebro humano é demonstrado nos diversos estudos sobre o impacto do uso recorrentes de telas no desenvolvimento de habilidades cognitivas, executivas e sociais em crianças (Liu et al., 2021; Muppalla et al., 2023; Radesky; Christakis, 2016). O avanço tecnológico dos último cinquenta anos levou a uma alta disponibilidade de dispositivos de mídia, reduzindo a média de idade para exposição a mídias/telas de 4 anos em 1970 (dados de países desenvolvidos) para 4 meses em 2016 (Radesky; Christakis, 2016). Dentre os efeitos da exposição precoce e excessiva a telas estão a redução da memória de trabalho (Zhang et al., 2021) e aumento na incidência de depressão e transtorno opositor desafiador (Nagata et al., 2024). Ainda, em estudo brasileiro, demonstrou-se que cada hora de tela acima do máximo indicado pela Organização Mundial de Saúde teve associação direta com redução de pontuação em escore de avaliação do desenvolvimento cognitivo, redução nas habilidades comunicacionais, de resolução de problemas e pessoais-sociais (Rocha et al., 2021). Nesse contexto, a estimulação sensorial crônica emerge como uma das principais hipóteses para justificar as alterações geradas pelo uso excessivo de telas. Contextualizando com o que foi apresentado na seção anterior, estaria ocorrendo hiperestimulação de vias neurais específicas em detrimento de outros caminhos sensoriais e de processamento de informação, levando a consolidação de circui-

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