Inteligência artificial e algoritmos

175 Cláudio Felipe Kolling da Rocha tos restritos e atrofia dos circuitos que assumiriam o processamento socioemocional, pessoal, de memória e de funções executivas como tomada de decisão e resolução de problemas (Manwell et al., 2022). Ao considerarmos os efeitos que as tecnologias tiveram e ainda tem na substituição e extinção de habilidades humanas em conjunto com os mecanismos de estimulação e desenvolvimento da plasticidade cerebral através do uso repetido e experimentação, é razoável presumir que ferramentas de IA generativa tem o potencial de gerar atrofia significativa de circuitos neurais responsáveis por habilidades que fazem parte de nossa essência como espécie. Ao substituir completamente ações mentais humanas complexas como pensamento criativo, pensamento crítico e tomada de decisão, embora se possa debater largamente quanto a qualidade e alcance de tal substituição, nos submetemos ao risco de em um curto espaço de tempo, termos redução significativa da capacidade humana de criar, racionar, identificar e resolver problemas de forma independente (Ahmad et al., 2023). Embora o uso amplo de IAGen seja algo recente e ainda não tenhamos uma base sólida de estudos avaliando os efeitos cognitivos do seu uso recorrente para tarefas antes altamente dependentes da capacidade mental humana, alguns estudos já começam a surgir delineando um quadro que exige atenção. Kosmyna et al., (2025) avaliaram os efeitos cognitivos e de ativação cerebral do uso de IAGen na elaboração de redações. O estudo demonstrou que apenas três sessões de escrita usando IAGen foram suficientes para gerar impactos significativos sobre as funções cognitivas dos participantes. Demandar, em uma quarta sessão, a produção de uma redação sem auxílio de pesquisa e ferramentas de IA mostrou conexões neurais mais fracas, redução de memória de trabalho, atrofia cognitiva com redução do pensamento crítico e da capacidade de resolver problemas, dificuldade em citar a própria criação, baixa originalidade e acúmulo de dívida cognitiva em comparação com os participantes que primeiro treinaram a produção independente e depois passaram a usar ferramentas de IAGen como suporte. O estudo ainda destacou que o uso de IAGen gera forte homogeneização de resultados, com redução da originalidade e propagação de vieses oriundos do conteúdo usado para treinamento dos modelos de linguagem. Tais resultados confirmam o ponto de

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