237 Jean Pedro Horszczaruk e Cleide Calgaro teriormente, para o aparentar. Consumir é existir, consumir é estar no mundo. Dessa forma, houve a evolução para um modelo de consumo ainda mais intenso, chamado de consumocentrismo5. E com o advento das tecnologias digitais de fácil acesso, o consumocentrismo passou a ser a base teórica, e o hiperconsumismo está sendo substituído pelo chamado turboconsumismo, que representa um estilo de vida no qual o consumidor está constantemente envolvido em práticas de consumo. É um processo de organização do universo hiper consumista de modo contínuo e ininterrupto, funcionando constantemente dia e noite, 365 dias por ano. No ambiente digital, a diversidade de opções é enorme e a possibilidade de comprar a qualquer hora e de qualquer lugar no ambiente online, reforça esse comportamento. Esse ritmo de consumo é voltado à satisfação imediata de desejos e prazeres, fortalecendo a chamada uma Cultura do Imediatismo6, porém no âmbito do consumo, onde não se pode perder tempo para ter algo: Não existem apenas as novidades que se aceleram: existe o tempo que separa o desejo de sua realização. O capitalismo de consumo é essa economia que trabalha continuamente para reduzir a distância entre as expectativas e a satisfação delas: ele criou uma sociedade de satisfação imediata. (...) A aceleração dos processos de aquisição e de consumo tornou-se um dos grandes vetores da sedução mercantil (Lipovetsky, 2020, p. 195, tradução nossa). O foco principal da análise da evolução do consumo e consequentemente do capitalismo, dá-se em virtude da forma como essas relações de consumo influenciam padrões de comportamento das pessoas. No campo do marketing, os impactos do chamado capitalismo de vigilância estão cada vez mais claros e exercem um papel fundamental na sociedade. 5 A sociedade consumocentrista se caracteriza pelo fato de que o consumo se coloca no centro de todas as decisões que envolvem o indivíduo, pois o mesmo perde sua identidade como ser que participa das decisões sociais para se transformar (apenas) em consumidor heteronomamente guiado (Pereira; Calgaro; Pereira, 2016, p. 267). 6 O passado não existe e o futuro é sempre incerto. Então, uma grande parte da sociedade prefere viver o agora e a qualquer custo. Nada mais ao seu redor e nem a vontade das outras pessoas interessa (Rushkoff, 2013, tradução nossa).
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