Direito fundamental à privacidade versus imediatismo do consumo: (in)segurança e privacidade dos usuários no ambiente de consumo online 238 Hoje todos estão inseridos em um ambiente onde as relações de consumo são estimuladas por apelos emocionais baseados nas reações que eles próprios demonstram nas redes digitais, sendo vigiados sem perceber. Esse cenário se mostra ideal para a criação de anúncios altamente direcionados, elaborados com técnicas de manipulação que buscam influenciar o comportamento das pessoas. É nesse sentido que o pensador Jaron Lanier (2018) afirma que não estamos mais diante de simples redes sociais, mas de verdadeiros impérios de modificação do comportamento. Isso mostra a importância da discussão do uso da publicidade baseada no comportamento humano associado à tecnologia, uma prática conhecida como neuromarketing7. Essa abordagem combina conhecimentos da psicologia, neurociência e economia para estudar como o cérebro reage às ações de marketing e entender o que motiva as escolhas e preferências dos consumidores. Assim, em uma sociedade que vive permanentemente conectada, o neuromarketing se torna um instrumento poderoso usado não apenas para vender, mas para manipular, muitas vezes em benefício exclusivo do lucro. E por isso, quando se faz uma pesquisa online, as pessoas começam a ficar cercadas de uma avalanche de anúncios daquele tema. Embora muitos usuários ignorem essas propagandas, o inconsciente humano é mais vulnerável, ficando exposto aos efeitos sutis de técnicas de mensagens subliminares e ofertas quase hipnóticas, cada vez mais presentes nas estratégias de mercado. Ao inserir o consumidor no centro das estratégias de vendas e divulgação, priorizando a coleta e o uso de dados, o mapeamento comportamento online se tornou eficiente e indispensável ferramenta de comércio. Martin et al. (2017) indicam que empresas que utilizaram dados dos clientes para direcionar seus anúncios e vendam, obtiveram 6% mais lucro do que concorrentes que não adotaram a prática. Nesse ponto se encontra o debate mais crucial quando se fala da interseção entre consumo, tecnologias e direitos fundamentais. Até que ponto os usuários tem ciência de que seus dados são processados pelos sites e usados para essas estratégias de marketing e consumo? 7 O neuromarketing surge para obtenção de um maior arcabouço de conhecimento, com a proposta de agregar às informações comportamentais as motivações ocultas no inconsciente da mente que direcionam os indivíduos em seu processo de escolha (Almeida Colaferro; Crescitelli, 2014, p. 137).
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