Inteligência artificial e algoritmos

Direito fundamental à privacidade versus imediatismo do consumo: (in)segurança e privacidade dos usuários no ambiente de consumo online 244 mente em uma sociedade pautada pelo imediatismo do consumo e pela constante conectividade. Nesse contexto, a atuação das inteligências artificiais no ecossistema dos cookies representa um ponto crítico, pois a automatização dos processos de coleta, armazenamento e análise de dados comportamentais aprofundam a lógica do capitalismo de vigilância, colocando em risco a autonomia informacional dos usuários. A ausência de regulamentação eficaz sobre a atuação da IA nesse ambiente fomenta a possibilidade de predadores comerciais serem cada vez mais intrusivos, tornando o consentimento apenas uma formalidade esvaziada de significado real. A urgência regulatória é imposta como a resposta necessária à assimetria informacional entre usuários e os avanços das plataformas digitais. Mais do que aprimorar mecanismos de transparência, é preciso construir um arcabouço normativo que compreenda a complexidade da evolução dessas tecnologias emergentes e ao menos tente assegurar a dignidade da pessoa humana frente à lógica mercadológica que transforma dados emmoeda de troca. Nesse processo, o papel dos legisladores e pesquisadores deve ser além de elaborar e implementar políticas públicas e regulatórias que diminuamos ricos do uso indevido de dados, mas também fomentar uma cultura de letramento digital ético, para que os indivíduos tenham compreensão das implicações de sua atuação online e o fornecimento indiscriminado de seus dados. Somente com essa compreensão oriunda da articulação entre conhecimento, regulação e conscientização irá permitir que os usuários se tornem parte da solução e não apenas do problema, assim então consolidando um ecossistema digital mais seguro, transparente e compatível com os valores democráticos que sustentam o Estado de Direito. REFERÊNCIAS ALMEIDA COLAFERRO, Claudia; CRESCITELLI, Edson. A contribuição do neuromarketing para o estudo do comportamento do consumidor. BBR – Brazilian Business Review, Vitória, SC, v. 11, n. 3, maio/jun. 2014.

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