Geoprocessamento e inteligência artificial: ferramentas estratégicas para o planejamento territorial 272 O presente estudo investiga o potencial do GEE como ferramenta estratégica para a formulação de políticas públicas, destacando suas aplicações emmonitoramento ambiental, planejamento urbano, agricultura, gestão de desastres e saúde pública. Além das aplicações práticas, o estudo também discute os desafios éticos, técnicos e sociais associados ao uso do GEE, como a dependência de infraestrutura privada, a desigualdade no acesso ao conhecimento técnico e a transparência dos algoritmos. Para isso, adota-se uma abordagem metodológica baseada em revisão bibliográfica e análise de exemplos práticos, com o objetivo de articular fundamentos teóricos e evidências empíricas que sustentem a reflexão proposta. Assim, este trabalho contribui para a compreensão crítica e multidisciplinar do papel do GEE na construção de soluções inovadoras e socialmente justas para os desafios contemporâneos enfrentados pelas sociedades em escala local e global. 1. SENSORIAMENTO REMOTO O sensoriamento remoto consiste na aquisição de informações sobre objetos ou áreas da superfície terrestre por meio de sensores que não estão em contato direto com os alvos observados. Essa técnica tem se consolidado como uma das principais fontes de dados para estudos ambientais, geográficos e territoriais. O avanço dos satélites orbitais, especialmente a partir da década de 70 com o lançamento da série Landsat, proporcionou uma revolução na forma como o planeta é monitorado. Os sensores embarcados em satélites modernos são capazes de captar múltiplas bandas do espectro eletromagnético, permitindo análises detalhadas sobre vegetação, uso do solo, corpos d’água e alterações ambientais (Jensen, 2011). Além disso, iniciativas como o programa CBERS (China-Brazil Earth-Resources Satellite), fruto da cooperação entre Brasil e China, ampliaramo acesso a dados de sensoriamento remoto empaíses emdesenvolvimento, fortalecendo a capacidade de planejamento territorial e gestão ambiental (INPE, 2020). Esses avanços têm sido fundamentais para a construção de políticas públicas baseadas em evidências, especialmente em contextos de rápida transformação territorial. Conforme Yang et al. (2022), o sensoriamento remoto tem desempenhado um papel es-
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