Inteligência artificial e algoritmos

Geoprocessamento e inteligência artificial: ferramentas estratégicas para o planejamento territorial 284 plataforma são utilizadas como subsídio para políticas públicas que afetam populações vulneráveis, pois decisões automatizadas podem perpetuar exclusões históricas em vez de corrigi-las. Por fim, há o debate sobre governança e colonialismo digital. A dependência de países em desenvolvimento em relação a plataformas controladas por grandes corporações do Norte Global configura uma nova forma de colonialismo de dados, na qual territórios do Sul Global permanecem subordinados a infraestruturas externas para monitorar e gerir seus próprios recursos ambientais (Caldeira; Mateo, 2025). Nesse cenário, destaca-se a relevância de iniciativas abertas e interoperáveis, capazes de assegurar a reprodutibilidade científica e mitigar a dependência de plataformas privadas. Tais abordagens contribuem diretamente para o fortalecimento da soberania tecnológica, especialmente em contextos onde o acesso à infraestrutura digital é desigual. Em síntese, embora o GEE represente um avanço inegável para a ciência e o planejamento territorial, sua utilização não está isenta de dilemas éticos. Questões como soberania digital, transparência, inclusão tecnológica e justiça algorítmica precisam ser enfrentadas para que os benefícios dessa ferramenta se concretizem de forma equitativa e sustentável. O futuro do geoprocessamento em nuvem dependerá, portanto, não apenas de inovações técnicas, mas tambémde mecanismos regulatórios e de governança que garantam seu uso responsável e socialmente justo. 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS A integração entre geoprocessamento e inteligência artificial, viabilizada por plataformas como o GEE, representa um avanço significativo na forma como governos, pesquisadores e instituições públicas enfrentam os desafios contemporâneos. A capacidade de analisar grandes volumes de dados geoespaciais em tempo quase real, com precisão e escalabilidade, tem ampliado as fronteiras do conhecimento aplicado à gestão territorial, ao monitoramento ambiental e à formulação de políticas públicas baseadas em evidências. Ao longo deste trabalho, foram exploradas as potencialidades do GEE em áreas estratégicas como o planejamento urbano, a agricultura, a gestão de desastres naturais e a saúde pública. Os estudos

RkJQdWJsaXNoZXIy MjEzNzYz