291 Mateus Panizzon e Patrícia Montemezzo proteção das liberdades fundamentais. Para alcançar esse propósito, propõe-se investigar os principais mecanismos de modulação comportamental operados pelas plataformas digitais, examinar os efeitos dessas práticas sobre a autonomia decisional dos usuários e, ainda, refletir sobre propostas normativas que visem à proteção da liberdade cognitiva e da cidadania digital. Parte-se da hipótese de que a atuação algorítmica das plataformas digitais compromete a liberdade individual na medida em que transforma o comportamento do usuário em objeto de predição e controle econômico. E, ainda, de que a ausência de uma regulação específica voltada à transparência algorítmica e à proteção da esfera mental dos indivíduos contribui para o aprofundamento das assimetrias informacionais e das desigualdades sociais no ambiente digital. A metodologia adotada é qualitativa, com base em revisão bibliográfica de obras acadêmicas nacionais e internacionais que abordam a relação entre inteligência artificial, comportamento de consumo, ética informacional e regulação de plataformas digitais. A análise teórica buscará integrar as contribuições das ciências sociais, da filosofia da tecnologia e do direito digital, em perspectiva crítica. O artigo encontra-se estruturado em quatro seções principais, além desta introdução e das considerações finais. A primeira seção examina a configuração da sociedade em rede e o papel do poder informacional mediado por algoritmos. A segunda analisa como as plataformas digitais operam tecnologias persuasivas e influenciam o comportamento dos consumidores. A terceira discute a noção de liberdade cognitiva, os riscos da manipulação tecnológica e a proposta de reconhecimento dos neurodireitos. A quarta seção apresenta propostas de regulação ética e jurídica das plataformas digitais e da inteligência artificial, com foco na proteção da cidadania e da autonomia informacional. Por fim, as considerações finais sintetizam os principais achados e sugerem caminhos para pesquisas futuras e para a construção de ummodelo de governança digital mais justo e democrático. O artigo encontra-se estruturado em cinco seções principais, além desta introdução e das considerações finais. A primeira seção examina a configuração da sociedade em rede e o papel do poder
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