Inteligência artificial, redes sociais e liberdade de consumo: desafios éticos e a urgência de regulação das plataformas digitais de redes sociais 292 informacional mediado por algoritmos. A segunda analisa como as plataformas digitais operam tecnologias persuasivas e influenciam o comportamento dos consumidores. A terceira discute a noção de liberdade cognitiva, os riscos da manipulação tecnológica e a proposta de reconhecimento dos neurodireitos. A quarta seção apresenta propostas de regulação ética e jurídica das plataformas digitais e da inteligência artificial, com foco na proteção da cidadania e da autonomia informacional. A quinta seção, por sua vez, propõe uma redefinição de racionalidade para as plataformas digitais, articulando aspectos técnicos, econômicos e éticos, a fim de superar a lógica extrativa vigente e promover uma cidadania digital emancipatória. Por fim, as considerações finais sintetizam os principais achados e sugerem caminhos para pesquisas futuras e para a construção de ummodelo de governança digital mais justo e democrático. 2. SOCIEDADE EM REDE E PODER INFORMACIONAL NA ERA DOS ALGORITMOS A emergência das tecnologias digitais e das redes de comunicação globalizadas inaugurou uma nova configuração social, marcada pela interconexão de pessoas, instituições emercados em tempo real. Essa transformação operou alterações profundas não apenas nosmodos de produção e circulação de informações, mas também nas formas de organização do poder e da economia. Ao analisar essa realidade, observa-se que o domínio da informação passou a constituir uma das principais formas de poder na contemporaneidade, substituindo, em grande medida, os tradicionais centros hierárquicos de comando baseados em estruturas territoriais ou institucionais rígidas. A compreensão da sociedade contemporânea como uma sociedade em rede decorre da constatação de que os fluxos informacionais são estruturantes das dinâmicas econômicas, políticas e culturais atuais. Nessa perspectiva, a capacidade de processar, armazenar e disseminar informações em rede tornou-se uma condição estratégica para o exercício de poder em escala global. A lógica em rede, ao privilegiar a flexibilidade, a descentralização e a velocidade de circulação, desestabiliza os modelos tradicionais de soberania, e posiciona os agentes que controlam os sistemas informacionais — como plataformas digitais e conglomerados de tecnolo-
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