Inteligência artificial e algoritmos

295 Mateus Panizzon e Patrícia Montemezzo De modo complementar, Dufour (2003) associa o avanço da tecnologia à lógica do neoliberalismo, observando que este modelo transforma o sujeito em um ser instrumental, adaptável e guiado pelo mercado. O autor entende que a razão crítica, capaz de julgar o justo e o injusto, cede lugar à razão instrumental, voltada à eficiência e ao consumo. Nessa lógica, a dominação se estabelece por meio de sedução e uma falsa sensação de liberdade, que gera dependência física e emocional. É o prazer viciante da dopamina gerada pelo uso de certas tecnologias, que oferece o conteúdo desejado de forma fácil e instantânea. Neste contexto, observa-se que a estrutura reticular das redes digitais não apenas reorganiza a sociabilidade e a economia, mas também redefine o campo da autonomia individual. A relação dos sujeitos coma informação e como consumo passa a ser mediada por dispositivos técnicos que operam a partir de lógicas estatísticas, probabilísticas e comportamentais, com baixa ou nenhuma transparência sobre seus critérios decisórios. E que, como dito, geramdependência emocional através da geração de dopamina. A compreensão crítica da sociedade em rede, portanto, não pode prescindir da análise das implicações sociais, políticas e éticas da ação algorítmica sobre a vida cotidiana. As plataformas digitais, ao concentrarem o poder de programar e reprogramar os fluxos de informação, exercem funções que extrapolam o mercado e que interferem diretamente no exercício das liberdades individuais, exigindo, por consequência, o debate sobre os limites e as formas possíveis de sua regulação. 3. TECNOLOGIAS PERSUASIVAS E O COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR NAS PLATAFORMAS DIGITAIS As plataformas digitais, especialmente aquelas voltadas à interação social, evoluíram para se tornar verdadeiros ecossistemas de coleta, análise e manipulação de dados comportamentais. Esse processo se viabiliza por tecnologias de inteligência artificial que rastreiam, em tempo real, as preferências, emoções, hábitos e padrões de consumo dos usuários. Com base nessas informações, os algoritmos personalizam a experiência digital de modo a maximizar

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