Inteligência artificial e algoritmos

37 Ana Carolina Roman Rodrigues, Cássia Hosni e Renata Perim Lopes evento. Ao final de 2023 e início de 2024, após reuniões, pesquisa e a análise do conteúdo dos vídeos disponibilizados, foram identificados os modos semânticos-discursivos da tentativa de Golpe e suas possíveis categorizações. A interface de acesso foi lançada em um website público, hospedado na FAU-USP, e os códigos de programação foram disponibilizados na plataforma aberta GitHub. A programação da interface foi desenvolvida por Thiago Hersan, que utilizou recursos de inteligência artificial para processar as gravações, além de catalogar e identificar os conteúdos presentes nos vídeos. Assim, a modelagem algorítmica e a própria inteligência artificial, ao operar por meio de camadas de indexação, busca e comparação, tornaram-se mediadores ativos na elaboração da memória do dia 8 de janeiro de 2023. Trata-se de uma memória coletiva e social, que se abre a diferentes modos de visualização e interpretação, funcionando como um dispositivo de preservação diante do risco constante de uma amnésia política. Destaca-se que essa pesquisa também se desdobrou no documentário Domingo no Golpe (2024), de Giselle Beiguelman e Lucas Bambozzi. O título remete às imagens insólitas que marcam o acervo: golpistas trajando camisetas verde-amarelas da CBF, carregando cadeiras de praia e chapéus, como se estivessem em um dia de lazer. Essa atmosfera festiva, que contrasta radicalmente com a gravidade da invasão aos principais edifícios de poder político do país, evidencia a banalização da violência e a estetização da cena como espetáculo cotidiano. Ao transformar um ataque às instituições democráticas em gesto performado como “passeio de domingo”, tais imagens escancaram não apenas a naturalização da violência política, mas também os modos como ela se inscrevem na memória coletiva, exigindo que as imagens sejam tratadas criticamente para que não se convertam em formas de esquecimento. Para o presente capítulo deste livro, nosso objetivo é analisar as imagens disponíveis na nossa interface e o seu desdobramento coma exposição Arquivo e Memória do dia 8 de janeiro de 2023, aberta ao público em28 de novembro de 2024, no Arquivo Histórico Municipal de São Paulo. Com curadoria de Amanda Klajner, Ana Roman, Cássia Hosni e Renata Perim, os quatro núcleos da exposição – Interfaces de 8 de janeiro, Estéticas da Vigilância, Estado de Exceção, Rastros de Destruição – foram organizados e pensados a partir das discussões

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