Inteligência artificial e algoritmos

Arquivo e memória do dia 8 de janeiro de 2023: do registro a documento 40 usando processamento de imagem e modelos de classificação de objetos; 6. Criação da interface para visualização dos vídeos a partir das três categorias já mencionadas. Durante a navegação na interface, observa-se ainda a presença de vídeos com a indicação “Câmera desativada”. Essa informação sugere que determinados dispositivos foramdesligados emmomentos específicos do dia, seja por falhas técnicas, seja pela ação direta dos golpistas, que danificaram equipamentos após a invasão do Palácio do Planalto. Esse dado, longe de ser apenas um detalhe técnico, torna-se parte da narrativa, pois evidencia os pontos de interrupção e silenciamento no registro audiovisual do evento. Para formular as análises que seguem a partir da nossa interface, é importante mencionar que entendemos a interface digital como uma infraestrutura sociotécnica na qual decisões de modelagem e apresentação – esquemas de dados, filtros e visualizações – constroem relações entre pessoas, máquinas e conteúdo (Moreschi; Jurno; Beiguelman; 2022; Latour, 2001; Law, 1992). Em outras palavras, as interfaces não são meros canais neutros de acesso à informação, mas dispositivos que configuram modos de ver, de argumentar e de interrogar os dados que apresentam. A partir dessa perspectiva, a navegação pelas imagens do 8 de janeiro de 2023 revelou não apenas o encadeamento factual dos acontecimentos, mas também camadas estéticas, políticas e materiais que orientaram a formulação de três eixos de análise: estéticas da vigilância, estado de exceção e rastros de destruição. 1.1. Estética da Vigilância Conforme aponta Fernanda Bruno, os dispositivos de visibilidade deixam seus rastros na subjetividade contemporânea e indicam dois vetores fundamentais de análise: a disciplina e o espetáculo (2013, p. 53). Áreas de controle e segurança, do prazer e do entretenimento envolvem as táticas do ver e do ser visto. Nosso ponto aqui se concentra nas particularidades do ver que as câmeras de segurança apresentaram. Essas imagens atestam o que Beiguelman destaca, citando Levin, como o gênero do “cinema do tempo real” (2021, p. 68). Para além do conteúdo imagético – da arquitetura ao

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