Inteligência artificial e algoritmos

41 Ana Carolina Roman Rodrigues, Cássia Hosni e Renata Perim Lopes movimento das pessoas – destacamos a forma como as imagens foram registradas. As luzes, a moldura e os eventuais efeitos gerados (não-intencionais) são o que podemos identificar como os códigos visuais da vigilância. As gravações das câmeras de segurança do dia 8 de janeiro revelam uma história das estéticas da vigilância e uma arqueologia das próprias câmeras. As imagens incluem registros de câmeras PZT (com movimentos de câmera Pan, Tilt, and Zoom) que tremem com o vento e borram na chuva, além de câmeras com lentes olho de peixe que captam sons e criam realidades paralelas. Algumas dessas câmeras, por serem antigas, apresentam glitches e pixelizações quando se movem, deixando rastros da própria materialidade na imagem digital (Figura 2). Figura 2 – À esquerda: Imagem da câmera da entrada do Palácio do Planalto no dia 8 de janeiro de 2023. À direita: Frame de imagem da câmera oeste do Palácio do Planalto no dia 8 de janeiro de 2023. Fonte: Interface de acesso aos vídeos de 8 de janeiro. Disponível em: https://acervos-digitais.github.io/oito-um-interface/time/. As gravações desafiam os padrões do olhar humano, oferecendo a visão do poder sobre si mesmo: elas nos permitem vislumbrar perspectivas inéditas do Palácio do Planalto, revelando quinas, cantos e ângulos que contrastam com o imaginário sobre a arquitetura de Oscar Niemeyer. Ao examinar essas imagens, somos convidados a refletir sobre como registros, inicialmente destinados ao esquecimento ou ocultação, podem se tornar documentos, sugerindo novas narrativas sobre arquitetura e poder. Enquanto a imagem oficial de Brasília projeta a monumentalidade abstrata do modernismo como signo de umpacto político e de um projeto democrático, as câmeras de segurança expõem outra dimensão: o espaço invadido e vandalizado. Nesse ponto, manifesta-se o que Eduardo Costa (2024) denomina de “inconsciente material” –

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