Arquivo e memória do dia 8 de janeiro de 2023: do registro a documento 42 rastros ocultos da construção, a presença das matérias, das infraestruturas e das contradições silenciadas pela narrativa modernista. A interface digital permite perceber camadas que dificilmente seriam reconhecidas em gravações isoladas. Ao organizar as imagens do 8 de janeiro, o protótipo não apenas evidencia o ataque perpetrado pelos golpistas, mas também revela os efeitos de suas ações sobre o espaço: sinais de suspensão da ordem e marcas materiais que denunciam a violência dirigida ao patrimônio público. 1.2. Estado de Exceção É possível navegar na interface do protótipo por horário. Esse recurso possibilita obter uma visão de conjunto da movimentação no Palácio ao longo do dia. Ao inserir os horários de 16h, 16h30 e 17h, podemos perceber, sem precisar de selecionar qualquer imagem, a chegada dos golpistas, suas ações e a destruição do patrimônio público. Essa visão panorâmica dos acontecimentos possibilita uma leitura sobre o conceito de estado de exceção, elaborado por Giorgio Agamben (2004) e ajuda a compreender a lógica política que se revelou no 8 de janeiro de 2023. Não se tratou apenas de um ataque físico aos edifícios que abrigam os Três Poderes, mas da encenação de uma suspensão, fictícia, da ordem democrática. O direito foi momentaneamente colocado em crise e em vez de desaparecer, foi manipulado, criando uma zona cinzenta onde a lei parecia tanto estar emvigor quanto ser suspensa. Nesse espaço de indeterminação, instaurou-se a brutalidade coletiva.
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