43 Ana Carolina Roman Rodrigues, Cássia Hosni e Renata Perim Lopes Figura 3 – Imagem da câmera do salão oeste do Palácio do Planalto no dia 8 de janeiro de 2023. Fonte: Interface de acesso aos vídeos de 8 de janeiro. Disponível em: https://acervos-digitais.github.io/oito-um-interface/time/ As imagens captadas pelas câmeras de vigilância registram esse intervalo instável. A ocupação violenta do Palácio do Planalto revela como o estado de exceção não é umacidente isolado, mas uma técnica que naturaliza a suspensão dos direitos em nome de uma suposta urgência. Ver a destruição através dos registros digitais é perceber como a violência se articula a dispositivos de poder que vão alémdos atos físicos: trata-se tambémde uma disputa simbólica pela legitimidade de quem pode ou não habitar o espaço público. Esse cenário evidencia uma ruptura entre o patrimônio comum e a apropriação golpista. A arquitetura, a arte e os símbolos institucionais se tornam campo de batalha — ao mirar contra os signos da democracia, os invasores encenaram sua recusa em aceitar a pluralidade do espaço público (Figura 3). O estado de exceção, assim, se manifesta não apenas como suspensão da lei, mas como ataque à própria possibilidade de memória e de convivência. Refletir sobre o 8 de janeiro a partir do conceito de Agamben (2004) é reconhecer a violência como prática política que pretende transformar exceção em regra. Pensar esses registros a partir da interface digital, é uma forma de resistir a essa captura, devolvendo às imagens a potência de documento, inscrevendo-as na memória
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