47 Ana Carolina Roman Rodrigues, Cássia Hosni e Renata Perim Lopes Campos amarelos interrompiam deliberadamente a sequência das imagens, funcionando como pausas gráficas que marcavam os limites da cobertura. Mais do que um recurso visual, eram indicadores de ausência, lembrando que aquilo que não foi registrado também faz parte da narrativa. Essa operação aproxima a exposição da arquitetura forense proposta por Eyal Weizman (2017), que transforma resíduos técnicos em indícios capazes de reconstruir episódios de violência. Embora não se tratasse de um inquérito pericial, a curadoria apropriou-se de sua lógica crítica ao demonstrar que as lacunas também informam, que as falhas falam tanto quanto as presenças e que os sistemas de vigilância não são transparentes, mas dispositivos políticos sujeitos a ataques. No espaço expositivo, essa abordagem converteu-se em uma pedagogia visual afinada ao contra forense, reapropriando instrumentos técnicos do poder para narrar a violência de modo público, coletivo e crítico (Figura 5). Figura 5 – Vista da exposição Arquivo e Memória do dia 8 de janeiro de 2023 no Arquivo Histórico Municipal de São Paulo. Foto: Levi Fanan Umdos elementos quemais se destacaramfoi o gráfico de funcionamento das câmeras, adotado como identidade visual da mostra. O diagrama tornava visíveis os momentos em que cada uma das 33
RkJQdWJsaXNoZXIy MjEzNzYz