Inteligência artificial e algoritmos

Arquivo e memória do dia 8 de janeiro de 2023: do registro a documento 48 câmeras do Palácio esteve ativa, desligada ou destruída. As linhas de tempo interrompidas revelavam a vulnerabilidade da vigilância, condensando em uma única visualização a instabilidade do sistema. Tornou-se símbolo da exposição porque mostrava que a violência não se restringiu à invasão física, mas atingiu também o regime de visibilidade que sustenta a vida pública. Nesse sentido, operava como emblema da fragilidade institucional, convidando à leitura coletiva das falhas como parte da memória democrática (Figura 6). Figura 6: Gráfico de funcionamento das câmeras de vigilância Fonte: elaborado pelas autoras. A transposição do digital para o espaço físico contou ainda com o uso de QR codes, que permitiam acessar trechos dos vídeos nos próprios dispositivos do público. Essa solução refletia a lógica fragmentada da circulação contemporânea das imagens, mas ao mesmo tempo deslocava para o visitante a responsabilidade de lidar com registros traumáticos. Democratizava o acesso, mas também expunha o risco de que a experiência se fragmentasse e perdesse sua dimensão coletiva, se não fosse acompanhada por mediação crítica. Esse dilema acompanha todas as tentativas de trabalhar com

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