Inteligência artificial e algoritmos

49 Ana Carolina Roman Rodrigues, Cássia Hosni e Renata Perim Lopes arquivos digitais em espaços museológicos e foi assumido pela exposição como parte de sua própria reflexão. É nesse ponto que a reflexão de Ariella Azoulay (2021) se torna decisiva. Ao propor o gesto de desaprender os arquivos, a autora convoca a suspender os usos naturalizados do documento – aqueles que consolidam funções de vigilância, comprovação ou controle – para reinscrever as imagens em outros regimes de memória e responsabilidade. Inspirada por essa chave, amostra deslocou registros funcionais, concebidos para operar mais do que para serem vistos, e os converteu em matéria de leitura crítica. O que antes servia à vigilância foi subtraído de sua função original e reinscrito no espaço público como instrumento de contestação coletiva, abrindo espaço para uma pedagogia visual que, ao mesmo tempo, expõe a violência e inventa formas de preservação democrática. No conjunto, a exposição construiu uma atmosfera de investigação compartilhada, articulando fotografias seriadas, glitches técnicos, campos amarelos, diagramas e textos. Seu gesto central foi desaprender o arquivo como estrutura instituída, recusando tanto a estetização espetacular quanto a neutralização do trauma. Em vez de respostas definitivas, apresentou-se como um experimento aberto, interessado em tensionar modos de ver e em propor novas formas de relação com as imagens e com a história. 3. APÓS 8 DE JANEIRO Podemos dizer que o 8 de janeiro ainda não acabou, pois ainda vivemos suas consequências diretas. Em novembro de 2024, vieram à tona evidências de que a tentativa de golpe de 8 de janeiro não se tratava apenas de um episódio isolado, mas de uma engrenagem de maior alcance, para além do poder Executivo. Investigações revelaram a existência de uma rede complexa, envolvendo políticos ligados ao próprio governo, e a articulação de operações como a Punhal Verde-Amarelo, que propunham o assassinato do presidente, do vice-presidente e do ministro do Supremo Tribunal Federal. Esses desdobramentos reforçam que o ataque às instituições não se limita àquele dia específico, mas se prolonga em estratégias subterrâneas, projetando-se sobre o presente e o futuro da democracia brasileira.

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