9 Júlio César da Rosa Herbstrith parecer um tabu, mas imaginemos o quanto poderíamos progredir em termos de reparações histórica necessárias para contar a história da humanidade de forma mais assertiva e inclusiva? É claro que exemplos não faltou, pelo contrário irão aumentar. Mas, também é fundamental compreendermos que não devemos incorrer no risco de delegarmos todas as tarefas intelectuais ou mesmo parte generosa delas para os ‘Sistemas Artificiais” termo usado por Nicolelis, pois ao fazermos isso, corremos o risco de diminuirmos nossa capacidade de imaginar. Devemos olhar com criticidade para este uso, fazer a ferramenta trabalhar conosco e para a coletividade, do contrário, iremos trabalhar para a ferramenta. Nem tanto apocalíptico em relação ao uso de IA que hoje perpassa grande parte das ações humanas, nem tanto integrado, para que incorramos no erro do olhar maravilhado e acrítico. Quem sabe escolhermos um olhar em suspensão, tentar operar em um entre. Antes de apresentar, ainda que brevemente os textos que compõem este livro, apenas mais uma digressão. Mapa, para que ou para quem serve um mapa? É inegável que o sistema de posicionamento global revolucionou a vida de todos nós, afinal, os trabalhadores/as, entregadores/as que navegam pelas cidades, de motocicleta, carro, bicicletas conseguem nos encontrar nos mais difíceis acessos. Sem o GPS, isso seria mais difícil, mais lento, daí nossa comidinha, nossos hambúrgueres e nossas caixinhas de gato demorariam mais para encontrar nossa localização. Imaginemos um gato sem caixinha, um hambúrguer frio e batatinhas mais moles, ruim. Vamos além, imaginemos nós perdidos, sem o Maps, sem o Waze, e pior ainda sem podermos usarmos o Maps e Waze para driblarmos as barreiras, a polícia, ficaríamos na total escuridão ante o perigo de um buraco na pista ou de um Radar de Fiscalização de Velocidade. Pois bem, o mapa, a abstração que durante séculos alimentou a imaginação dos/as aventureiros/as, colocou o mundo visível diante dos olhos de Dinastia de reis, rainhas e Imperadores. Nós usamos o mapa para circularmos em nosso próprio bairro, pois, se não usarmos poderemos perder a oportunidade de tomarmos o caminho “errado”, aquele que não foi indicado pelo Maps e que certamente vai fazer com que tomemos o caminho mais longo, mais demorado, o caminho “errado”. Mas o que acontece quando delegamos exclusivamente àmáquina o desenho de nossas trajetórias?
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