19 Inteligência Artificial e segredo de negócio: uma aproximação a partir da LGPD toria regulatória que respeitem a confidencialidade legítima sem abrir mão da prestação de contas. O resultado é um manual de discernimento: nem fetichizar a transparência absoluta, nem ceder à sedução fácil do segredo como resposta para tudo. O que se propõe é governança. A elegância do texto está em cruzar camadas: doutrina e casos, direito e engenharia, desenho institucional e cultura organizacional. Ao final, o livro entrega algo raro: um léxico comum para profissionais que, não raro, falam línguas diferentes. Profissionais do direito, cientistas de dados, gestores públicos, reguladores e empreendedores passam a ver com mais nitidez o mapa do território e a dispor de bússolas confiáveis para navegar em contextos que não admitem soluções de prateleira. Como leitor e testemunha do trabalho cuidadoso que sustenta estas páginas, posso dizer: trata-se de uma contribuição que chega em hora certa. Em um país que ousou construir uma lei geral de proteção de dados robusta e uma autoridade reguladora com missão clara, era preciso um texto que mostrasse que proteger pessoas e preservar a inovação não é apenas possível, mas também é necessário, urgente e, acima de tudo, desejável. Este livro é convite e instrumento. Convida a abandonar falsas dicotomias e a substituir slogans por critérios. Entrega ferramentas para que organizações públicas e privadas implementem, desde já, decisões automatizadas auditáveis, explicáveis e justas. E lança um chamado para que a ANPD, a academia, a sociedade civil e o mercado amadureçam, juntos, arranjos de supervisão que sejam tão inteligentes quanto as tecnologias que buscam orientar. Que estas páginas circulem muito. Que sirvam como referência para quem projeta, contrata e fiscaliza sistemas de IA; para quem, no cotidiano, precisa decidir o que explicar, o que medir e quando abrir a caixa-preta para que a promessa de eficiência não se converta em injustiça. E que, ao final, a leitura nos lembre do óbvio que tantas vezes se esquece: direi-
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