Inteligência Artificial e segredo do negócio

33 Inteligência Artificial e segredo de negócio: uma aproximação a partir da LGPD restritivas, oportunizando novas iniciativas no meio digital. No entanto, conforme atenta Beck (2018, p. 185-190), paradoxalmente aos avanços digitais, o grau de conhecimento acerca dos riscos existentes e atrelados ao mundo digital são consideravelmente frágeis (ou invisíveis), em contraposição a outros riscos contemporâneos (como crises financeiras, mudanças climáticas e terrorismo). Mas, como se explorará em especial no Capítulo 3, justamente o risco às liberdades digitais – que são imateriais e, por assim, dizer indolores – proporciona, como efeito colateral, movimentos emancipatórios de humanismo digital, voltados a preservação de direitos humanos neste novo ambiente. 1.1.1 Novas tecnologias e a quarta revolução industrial Segundo Schwab (2016, p. 16-19), a primeira revolução industrial ocorreu entre 1760 e 1840, sendo provocada pela construção de ferrovias e máquinas a vapor, bem como pela produção mecânica. As lições extraídas nesse período, segundo o autor, são ainda válidas, visto que “um dos grandes determinantes do progresso consiste na extensão que a inovação tecnológica é adotada pela sociedade”. Longo e Scorza (2020, p. 70) atentam que a primeira revolução industrial “mudou a nossa vida e a nossa economia que conduz à transição de uma economia agrícola e artesanal para uma economia dominada pela indústria e pela fabricação de máquinas” (traduziu-se).1 Com efeito, entre 1850 e 1945, a segunda revolução industrial é marcada pela transição de métodos de produção a vapor para uma série de desenvolvimentos atrelados a indústria química, metalúrgica, petrolífera e especialmente elétrica. Segundo Cheliga e Teixeira (2019, p. 49-51), essa revolução pode ser visualizada como um aperfeiçoamento das técnicas 1 No original: “La prima rivoluzione industriale ha cambiato la nostra vita e la nostra economia portando al passaggio da un’economia agricola e artigianale a una dominata dall’industria e dalla fabbricazione di macchinari”. In: LONGO, Alessandro; SCORZA. Guido. Intelligenza artificiale: l’impatto sulle nostre vite, diritti e libertà. Milano: Mondadori Università, 2020. p. 70.

RkJQdWJsaXNoZXIy MjEzNzYz