Inteligência Artificial e segredo do negócio

Inteligência Artificial e segredo de negócio: uma aproximação a partir da LGPD 38 Hildebrandt (2015, p. 8), em sua obra Smart technologies and the end(s) of law, situa o leitor sobre o potencial transformador das novas tecnologias, que parece dar vida a coisas e objetos que se comunicam entre si. Isso é feito através da narrativa fictícia Diana’s onlife world. A história baseia-se emuma série de cenários elaborados ao longo de um trabalho de pesquisa de cinco anos, ao lado de pesquisadores no campo das ciências da computação, ciências sociais, filosofia e direito, no âmbito da rede de pesquisa europeia The Future of Identity in the Information Society. Resumidamente, a narrativa de Diana’s onlife world dá conta da história da personagem Diana, que tem aspectos da sua vida influenciados pelos apetrechos tecnológicos que rodeiam seu dia a dia. A sua casa inteligente (smart home) comunica-se com aparelhos domésticos (v.g. preparando-lhe um café pela manhã), assim como indicando ao seu veículo qual a melhor rota para o trabalho de Diana (a depender da apuração de seu humor). Se constatado possível risco de direção perigosa, o sistema indicará a Diana que pegue o transporte público – possibilitando que a personagem queime mais calorias e, ao fim do dia, seja recompensada com um jantar de sua preferência (já apurada pelo sistema). Sua rotina é gerenciada pelo seu assistente pessoal digital (PDA), responsável por realizar sugestões para o controle personalizado do tempo, o que inclui conversas, agendamento de reuniões, refeições e recebimento de mensagens e ligações particulares, o que ocorre por meio da intercomunicação com outros assistentes digitais. A personagem depende de seu PDA, que igualmente é capaz de gerenciar riamo, giochiamo, lavoriamo, amiamo, odiamo, scegliamo, decidiamo, produciamo, vendiamo, compriamo, consumiamo, pubblicizziamo, ci divertiamo, ci preoccupiamo di qualcosa e ce ne prendiamo cura, socializziamo, comunichiamo e così via. Sembra impossibile trovare un qualsiasi aspetto della vita che non sia stato influenzato dalla rivoluzione digitale. Nell’ultimo mezzo secolo circa, la nostra realtà è diventata sempre più digitale, fatta di zero e uno, gestita da software e dati, piuttosto che da hardware e atomi. Un numero crescente di persone vive sempre più diffusamente onlife, sia online sia offline, e nell’infosfera, sia digitalmente sia analogicamente. Questa rivoluzione digitale ha anche influito sul modo in cui concepiamo e comprendiamo le nostre realtà, che sono sempre più interpretate in termini computazionali e digitali”. In: FLORIDI, Luciano. Etica dell’intelligenza artificiale: sviluppi, opportunità, sfide. Milano: R. Cortina, 2022, p. 25.

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