39 Inteligência Artificial e segredo de negócio: uma aproximação a partir da LGPD as emoções de Diana, programando, por exemplo, o toque de músicas calmas para acalmar a sua ansiedade – quando constatada – e a indicação de quais exercícios realizar na academia local, considerando seu trabalho e dados atrelados a sua saúde. Com esta narrativa, atenta Hildebrandt (2015, p. 1-9) ao fato de que novas tecnologias reconfiguraram a forma de viver, assim como serão capazes de realizar uma moderação do comportamento. Nesse sentido, conforme leciona Hildebrandt (2020, p. 7) o ciberespaço não é um espaço virtual separado, mas a arquitetura emergente de um mundo onlife. Ele é onlife por dois motivos: primeiro, porque a diferença entre online e offline está se tornando cada vez mais artificial e, segundo, porque as habilidades preventivas dos sistemas "ciberfísicos" "animam" nosso ambiente. As infraestruturas orientadas por dados se comportam como se nosso ambiente estivesse vivo (traduziu-se).4 Neste cenário onlife, assevera Hoffmann-Riem (2021, p. 26) que as novas tecnologias impactam direitos e garantias fundamentais, como liberdade, privacidade e livre desenvolvimento da personalidade. E mais, alerta-se ainda para a possibilidade de interferências na autonomia humana (especialmente na tomada de decisões): Nesse mundo, os sistemas de computador podem, em grande parte, libertar as pessoas da necessidade de tomar decisões, ou seja, substituir as decisões humanas. Tal alívio das decisões é visto por muitos como uma grande oportunidade de ganho em qualidade de vida, mas também é criticado por outros, especialmente na medida emque os afetados não tem a oportunidade de intervenção voluntária. Mireile Hildebrandt fala em 4 No original: “Cyberspace is not separate, virtual space but the emergent architecture of an onlife world. It is onlife for two reasons: first, because the difference between online and offline is becoming increasingly artificial, and, second, because the pre-emptive abilities of cyberphysical systems ‘animate’ our environment. Data-driven infrastructures behave as if our environment is alive” In: HILDEBRANDT, Mireille. Law for Computer Scientists and Other Folk. United Kingdom: Oxford University Press, 2020. p. 7.
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