Inteligência Artificial e segredo de negócio: uma aproximação a partir da LGPD 48 escolha). Assim, são rastreadas as pegadas do usuário e consumidor: cada clique é salvo, cada passo capturado e cada dado e informação exposto coletado, agrupado e utilizado de forma imediata ou posterior, para os mais variados fins. Essa produção massiva de dados, por outro lado, segundo argumenta Beck (2018, p. 192), ocorre (i) de forma voluntária e consciente pelos indivíduos, dentro de plataformas de mídia social e, por outro lado, (ii) também de forma involuntária, rotineira e implícita, através da coleta de dados de aparelhos pessoais do usuário. Na atual sociedade informatizada, a informação e coleta de dados se apresentam como elementos essenciais para organização da sociedade (Bioni, 2019, p. 2). A questão não é nova, eis que, como denunciado por Warren e Brandeis (1890) no célebre artigo The Right to Privacy publicado na Harvard Law Review, as indústrias e a imprensas, já naquela época, manifestavam interesse na coleta, manipulação e difusão de informações pessoais para fins econômicos. Castells (2002, p. 135), nesse sentido, alertou que o paradigma tecnológico estaria organizando-se de modo que a própria informação se torne “o produto do processo produtivo”. Portanto, dados tornaram-se poderosos ativos econômicos e, com o passar do tempo, possibilitaram uma exploração econômica cada vez maior, assim como a formação de “varejos de dados pessoais” e “economia de vigilância”, onde a informação é matéria-prima adquirida através de constante vigilância (Bioni, 2019, p. 47-48). Segundo Siegel (2017, p. 96), o “ouro” está nas possibilidades de inferência e de descoberta através da curadoria e exame dos dados coletados. Isso ocorre por meio do que se denomina de “Data Effect”: a coleta e análise de dados sempre é capaz de “contar uma história” sobre algo ou alguém, podendo-se aprender com ela e, feito isso, realizar uma “previsão” futura – razão pela qual os dados são ativos valiosos e desejados por muitas empresas e organizações. A lógica análise preditiva é a seguinte: é o que os indivíduos fizeram no passado que prevê o que eles farão no futuro. Por isso dados com-
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