Inteligência Artificial e segredo de negócio: uma aproximação a partir da LGPD 50 Eubanks (2018, p. 5), nesse sentido, discorre sobre como essas “sentinelas informacionais” vigiam e coletam, de forma discreta, dados e informações sobre indivíduos ou grupos de pessoas: Os guardas de segurança digital coletam informações sobre nós, fazem inferências sobre o nosso comportamento e controlam o acesso a recursos. Alguns são óbvios e visíveis: câmeras de circuito fechado eriçam nossas esquinas, dispositivos de posicionamento global de nossos celulares registram nossos movimentos, drones da polícia sobrevoam protestos políticos. Mas muitos dos dispositivos que coletam nossas informações e monitoram nossas ações são inescrutáveis, pedaços de código invisíveis. Eles estão embutidos nas interações da mídia social, fluem por meio de aplicativos para serviços governamentais, envolvem cada produto que experimentamos ou compramos. Eles estão tão profundamente entrelaçados no tecido da vida social que, na maioria das vezes, nem percebemos que estamos sendo observados e analisados. Todos nós habitamos esse novo regime de dados digitais, mas nem todos o experimentamos da mesma maneira (Eubanks, 2018, p. 5). (traduziu-se)12 Sobre a comercialização de dados (pessoais e comportamentais), Amadeu da Silveira (2021, p. 41-42) esclarece que os meios de exploração do capital se digitalizaram e, desde a primeira década do século XXI, assentam-se no surgimento de 12 No original: “Our world is crisscrossed with informational sentinels like the system that targeted my family for investigation. Digital security guards collect information about us, make inferences about behavior, and control access to resources. Some are obvious and visible: closed circuit cameras bristle on our street corners, our cell phones’ global positioning devices record our movements, police drones fly over political protests. But many of the devices that collect our information and monitor our actions are inscrutable, invisible pieces of code. They are embedded social media interactions, flow through applications for government services, envelop every product we try or buy. They are so deeply woven into the fabric of social life that, most of the time, we don’t even notice we are being watched and analyzed. We all inhabit this new regime of digital data, but we don’t all experience it in the same way”. In: EUBANKS, Virginia. Automating Inequality: How high-tech tools profile, police, and punish the poor. New York: St. Martin Press, 2018. p. 5.
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