423 Agnes Borges Kalil, Haide Maria Hupffer e Dailor dos Santos de uso. Isso pode configurar abuso de poder econômico às vésperas da votação do projeto de lei por tentar impactar a opinião pública e o voto dos parlamentares. As plataformas estão usando todos os recursos possíveis para impedir a aprovação do PL 2630 porque o que está em jogo são os bilhões arrecadados com publicidade digital que atualmente não possuem nenhuma regra, restrição ou obrigação de transparência, deixando anunciantes e consumidores vulneráveis aos seus interesses econômicos. Se o PL 2630 não for aprovado, as big techs conseguem manter a assimetria regulatória que existe no mercado e, portanto, manter suas vantagens competitivas frente aos outros meios de comunicação que também vivem de publicidade (NETLAB, 2023a, p. 2). O estudo citado demonstra que as plataformas burlaram suas próprias regras de publicidade e termos de uso, utilizando de suas ferramentas para mobilizar a população contra o PL 2.630/2020, nomeando-o repetidas vezes como PL da censura, o que, inclusive, ajudou a promover conteúdo desinformativo sobre o projeto de lei (NETLAB, 2023a, p. 3-4). A campanha de boicote à PL foi organizada, orquestrada, planejada e postada nas principais plataformas. Pesquisadores do NetLab da UFRJ examinaram anúncios, textos e informações veiculados, propagados e impulsionados com ataques ao Projeto de Lei n. 2.6302020, divulgados nas gigantes da tecnologia, sendo constatado: Twitter: 90.709 posts; Whatsapp: 1.082 mensagens; Telegram: 182 mensagens; Facebook: 1.325 post; Instagram: 543 posts; Youtube: 108 vídeos; TikTok: 96 vídeos; Meta ADS: 16 anúncios; Junk News: 152 matérias. Também foi denunciado no relatório do NetLab que o Google, que é o site de buscas mais utilizados por brasileiros (97%), para favorecer links contrários ao PL estaria enviesando os resultados das pesquisas (NETLAB, 2023b). A pesquisa revela que as big techs promoveram ampla campanha de desinformação sobre o PL. Além do Google colocar o link “PL da censura” na sua página de busca inicial, o Spotify também violou as próprias diretrizes ao vincular anúncio com tema político, no qual manifestava sua oposição ao projeto de lei nº 2.630/2020. Ademais, é importante referir que o Spotify não elabora relatório de transparência sobre os anunciantes (NETLAB, 2023a, p. 4), uma das situações que o PL das Fake News pretende alterar.
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