Leonardo L. Ferreira 103 busto para reavaliar o papel das empresas no combate à desigualdade. Sen argumenta que o desenvolvimento não deve ser medido apenas por indicadores econômicos, mas pela expansão das liberdades substantivas e das capacidades individuais de cada pessoa – ou seja, a capacidade de fazer e ser o que valoriza. Ao adotar essa perspectiva, a RSC pode transcender a lógica do assistencialismo e focar na criação de condições que permitam aos indivíduos exercerem suas escolhas e alcançarem seu pleno potencial. Este projeto de pesquisa propõe investigar como a integração dos princípios da Teoria das Capacidades nas estratégias de RSC pode transformar o papel das empresas em agentes ativos de justiça social, contribuindo de forma mais significativa para a redução da desigualdade social e para a construção de um futuro mais justo e inclusivo. OS EFEITOS DO CORPORATIVISMO APLICADOS AO COMBATE À DESIGUALDADE SOCIAL E SUAS RESPONSABILIDADES A relação entre o setor corporativo e a desigualdade social é complexa e multifacetada. Historicamente, a visão predominante, popularizada por Milton Friedman, defendia que a única responsabilidade social das empresas era maximizar o lucro para seus acionistas2. Essa perspectiva, no entanto, tem sido crescentemente desafiada pela realidade de um mundo globalizado, onde as ações empresariais possuem impactos significativos que transcendem o âmbito econômico, afetando diretamente a vida das pessoas e o meio ambiente. A concentração de poder econômico e a busca incessante por lucratividade, muitas vezes, contribuem para a perpetuação e o aprofundamento das disparidades sociais, seja por meio de práticas trabalhistas precárias, exploração de recursos naturais, ou pela falta de investimento em comunidades locais3. Contrariando essa visão restrita, a Responsabilidade Social Corporativa (RSC) surge como um paradigma que reconhece o papel 2 A visão de Milton Friedman, embora influente, é frequentemente criticada por não considerar os impactos sociais e ambientais das atividades empresariais, focando exclusivamente na maximização do lucro para os acionistas. 3 A Responsabilidade Social Corporativa (RSC) evoluiu de uma abordagem puramente filantrópica para uma visão mais estratégica, onde as empresas integram preocupações sociais e ambientais em suas operações e em sua interação com os stakeholders.
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