Caroline Andréia Klein 119 quentemente comprometida por falhas intrínsecas — ambiguidades, omissões e cláusulas mal redigidas — que resultam emperdas financeiras substanciais e emumvolume expressivo de litígios. Relatórios do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) consistentemente apontamas disputas contratuais como uma das principais causas de congestionamento do sistema judiciário brasileiro, um sintoma claro de que a prevenção de conflitos na fase de elaboração contratual é deficiente. Este cenário é intensificado pela Quarta Revolução Industrial, um fenômeno que, segundo Klaus Schwab (2016), se distingue das revoluções anteriores pela sua velocidade, amplitude e pela fusão sem precedentes entre os domínios físico, digital e biológico. A rápida difusão de tecnologias como a Inteligência Artificial (IA) generativa transforma indústrias e profissões, e o Direito não é exceção. Ferramentas como o ChatGPT (OpenAI) e o Gemini (Google) tornaram-se acessíveis, oferecendo um potencial disruptivo para a análise de documentos e a identificação de riscos em uma escala e velocidade antes inimagináveis. Diante dessa conjuntura, emerge o problema central que norteia esta pesquisa: de que forma e com qual grau de eficácia as ferramentas de IA podem ser empregadas para identificar e mitigar os riscos jurídicos inerentes aos contratos de prestação de serviços, de modo a contribuir para a redução da litigiosidade? A investigação parte da hipótese de que a IA, quando utilizada como uma ferramenta de apoio sob a curadoria de um profissional qualificado, é capaz de detectar com notável precisão as vulnerabilidades e lacunas que frequentemente culminam em disputas judiciais. Adicionalmente, levanta-se a hipótese de que a qualidade e a profundidade dessa análise são diretamente proporcionais à especificidade e ao refinamento do comando (prompt) elaborado pelo usuário. O objetivo geral deste trabalho é, portanto, avaliar o potencial prático e a efetividade do ChatGPT e do Gemini na identificação de riscos em contratos que foram objeto de litígio. Para alcançar este fim, foram definidos os seguintes objetivos específicos: a) mapear os principais riscos jurídicos recorrentes nos contratos da amostra; b) analisar e comparar o desempenho das duas ferramentas de IA na identificação de cláusulas problemáticas; c) avaliar a confiabilidade, os limites e a incidência de erros (como as “alucinações”) nos resultados gerados; e d) compreender como e em que medida a engenha-
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