Empresa, sociedade e tecnologia: sob a ótica sistêmica e econômica

Caroline Andréia Klein 121 de disposições sobre propriedade intelectual ou a inadequação do contrato à legislação vigente. A complexidade reside no fato de que esses riscos raramente são isolados; eles se interconectam e potencializam uns aos outros, criando um campo minado para as partes envolvidas. A dinâmica da Quarta Revolução Industrial, conforme descrita por Schwab (2016), agrava esse desafio. A velocidade com que os negócios são fechados e a crescente digitalização dos processos resultam em um volume de contratos que torna a análise manual e pormenorizada de cada documento uma tarefa hercúlea. O “copiar e colar” de modelos, sem a devida adaptação ao caso concreto, torna- -se uma prática comum e perigosa, multiplicando os riscos de forma sistêmica. O ambiente digital exige, paradoxalmente, um rigor analítico ainda maior, pois as falhas podem se propagar com uma rapidez sem precedentes. Isso impulsiona uma mudança de paradigma na gestão de riscos: da abordagem reativa, que lida com o problema apenas quando ele se manifesta, para uma abordagem proativa e estratégica, que busca antecipar e mitigar as vulnerabilidades desde a fase de negociação. A capacidade de identificar preventivamente os pontos de atrito em um contrato e de construir instrumentos jurídicos mais claros, equilibrados e resilientes converte-se em um poderoso diferencial competitivo. Uma gestão de riscos eficaz não apenas evita litígios, mas também otimiza o desempenho do negócio, fortalece parcerias e libera recursos que seriam gastos em disputas para serem investidos em inovação. É precisamente nesta lacuna entre a crescente complexidade contratual e a limitação da capacidade humana de análise em escala que a Inteligência Artificial se posiciona como uma solução promissora. Ferramentas de IA podemprocessar e analisar documentos extensos em segundos, identificar a ausência de cláusulas essenciais, sinalizar termos inconsistentes e comparar um contrato específico com um vasto repositório de outros documentos para identificar desvios e anomalias. A IA não substitui o julgamento do advogado, mas o potencializa, oferecendo uma primeira camada de triagem que permite ao profissional focar sua atenção nos pontos de maior complexidade e relevância estratégica.

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