Rafael Corrêa de Barros Berthold 131 tes ou de grande impacto emocional, fazendo com que o advogado superestime a probabilidade de eventos vívidos em sua memória. Complementarmente, o viés de retrospectiva (hindsight bias) impede a aprendizagem objetiva com decisões passadas, ao fazer com que os resultados pareçam mais previsíveis do que realmente eram. A experiência torna- se, assim, um filtro seletivo, e a confiança irrestrita nela constitui uma falha metodológica na governança de riscos. Essa arquitetura cognitiva, por fim, alimenta as barreiras culturais à adoção de métodos orientados por dados, um desafio central para a modernização da gestão jurídica, como apontam Cybulski e Scheepers (2021) e Bergmann et al. (2020). O BALANCED SCORECARD E OS KPIS COMO. MECANISMOS DE GOVERNANÇA E DEBIASING A constatação de que o julgamento intuitivo é sistematicamente enviesado impõe a necessidade de um sistema que discipline o processo decisório. No ambiente jurídico, um dos últimos a adotar métricas de desempenho, como aponta Mania (2022), essa necessidade é premente. A resposta reside em ferramentas de gestão como o Balanced Scorecard (BSC) de Kaplan e Norton (1992), que funciona como um “algoritmo simples” e eficaz. Em sua essência, o BSC é um sistema de planejamento e gestão estratégica que transcende a tradicional dependência de indicadores puramente financeiros. Ele permite que as organizações traduzam sua visão e estratégia em um conjunto de objetivos e indicadores de desempenho distribuídos em quatro perspectivas equilibradas: Financeira, Clientes, Processos Internos e Aprendizagem e Crescimento. Conforme destaca Timmer (2017), a implementação de dashboards estruturados baseados nesses princípios transforma o departamento jurídico em uma área estratégica geradora de valor. Aplicado à gestão jurídica, o BSC se converte em uma poderosa arquitetura de decisão, forçando uma análise objetiva que mitiga os vieses cognitivos. A implementação do BSC promove a racionalidade ao decompor a performance em suas quatro perspectivas, cada uma atuando como um contrapeso a vieses específicos. As perspectivas Financeira e de Clientes (internos ou externos) exigem KPIs que quantifiquem o impacto jurídico em valor e satisfação (e.g., “custo total
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