Do julgamento intuitivo ao algoritmo estratégico: o Balanced Scorecard como ferramenta de debiasing na gestão jurídica empresarial 132 de litígios”, “economia em negociações”). Essa abordagem baseada em dados desafia diretamente o viés do otimismo, ao confrontar a percepção de sucesso com a realidade dos números, e a aversão à perda, ao permitir uma análise mais fria sobre o custo-benefício de litigar versus aceitar um acordo, ancorando a discussão em evidências. A perspectiva dos Processos Internos atua como antídoto à confiança excessiva na experiência individual e na heurística da disponibilidade. Ao mapear e medir processos-chave (e.g., “tempo médio para aprovação de contratos”), a empresa cria um sistema menos dependente da discricionariedade de um único profissional, superando a tensão, descrita por Timmer (2017), entre a formação tradicional do advogado e a necessidade de uma gestão orientada a resultados. O sistema, e não a intuição isolada, torna-se o guardião da consistência. Finalmente, a perspectiva de Aprendizagem e Crescimento institucionaliza a consciência sobre os vieses e promove uma cultura de melhoria contínua. Metas relacionadas à qualidade do processo decisório (e.g., “adoção de softwares de jurimetria”) dialogam com os desafios de implementação de analytics apontados por Cybulski e Scheepers (2021) e Bergmann et al. (2020). Essa abordagem transforma a gestão jurídica de uma prática reativa e vulnerável ao viés de retrospectiva, para uma prática proativa e preditiva, que aprimora sistematicamente seus modelos mentais, alinhando-se às melhores práticas de gestão de riscos, conforme explorado por Schnegg e Möller (2022). Em suma, ao estruturar a análise e a medição de desempenho em torno dessas quatro áreas, o Balanced Scorecard força a gestão jurídica a sair do campo da subjetividade e a entrar na arena da gestão estratégica baseada em evidências. A mitigação dos vieses cognitivos não é um mero subproduto, mas uma consequência direta da metodologia: decisões que antes eram guiadas por impressões são agora informadas por KPIs, e estratégias que eram abstratas tornam-se planos de ação mensuráveis. O resultado é um departamento jurídico não apenas mais eficiente e racional em suas operações internas, mas fundamentalmente mais alinhado aos objetivos estratégicos globais da empresa, capaz de demonstrar seu valor de forma clara e inequívoca.
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