Governança como estratégia de continuidade da empresas familiares agropecuárias 160 entre herdeiros, estabelecer fronteiras claras entre família e empresa e promover maior profissionalização da gestão. Essa hipótese se fundamenta na constatação de que, embora existam diversos instrumentos jurídicos para organizar a sucessão patrimonial, como exemplo, as holdings, testamento e doação com reserva de usufruto, mas eles não são suficientes, por si só, para garantir a harmonia familiar e a continuidade empresarial. É, portanto, na dimensão da governança que se encontram os elementos mais adequados para assegurar a perenidade das organizações agropecuárias. O objetivo geral deste estudo é analisar a importância da governança para a manutenção e continuidade das empresas familiares agropecuárias ao longo das gerações. Para tanto, estabelecem-se como objetivos específicos: (i) compreender a interação entre família, propriedade e gestão, categorias que formam o chamado modelo dos três círculos; (ii) examinar as práticas e modelos de governança que podem ser aplicados às empresas familiares agropecuárias; e (iii) destacar a relevância da profissionalização da gestão e da preparação dos sucessores para enfrentar os desafios do processo sucessório. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, fundamentada em ampla revisão bibliográfica e na análise de experiências documentadas na literatura especializada. A revisão teórica fornece o suporte conceitual e analítico necessário para comparar diferentes contextos e identificar padrões que influenciam o êxito ou o fracasso da continuidade das empresas familiares. Essa metodologia possibilita compreender como a governança é construída e aplicada no cotidiano das famílias empresárias, evidenciando seu papel estratégico na prevenção de conflitos, na preservação do patrimônio e na manutenção da cultura organizacional. Dessa forma, ao discutir a governança familiar no âmbito do planejamento sucessório, este trabalho busca contribuir para o aprofundamento teórico e prático do tema, oferecendo subsídios que possam auxiliar famílias empresárias, gestores e estudiosos a compreender melhor os fatores que condicionam a perenidade das empresas agropecuárias. Trata-se, portanto, de uma investigação que ultrapassa a dimensão meramente técnica, pois envolve também aspectos sociais, culturais e relacionais que determinam a sustentabilidade das organizações familiares no campo brasileiro.
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