Empresa, sociedade e tecnologia: sob a ótica sistêmica e econômica

Governança como estratégia de continuidade da empresas familiares agropecuárias 164 GOVERNANÇA NAS EMPRESAS AGROPECUÁRIAS: A INTEGRAÇÃO ENTRE PROFISSIONALISMO E PROTOCOLO FAMILIAR A continuidade das empresas familiares agropecuárias exige mais do que a simples transmissão de patrimônio entre gerações. Em muitos casos, o processo sucessório é marcado por disputas internas, ausência de planejamento e dificuldade de adaptação dos herdeiros às funções de liderança. A falta de preparo e a inexistência de práticas de governança estruturadas comprometem a perenidade dessas organizações, evidenciando que o sucesso da sucessão não depende apenas de questões patrimoniais, mas também da construção de ummodelo de gestão profissionalizado e da adoção de mecanismos claros de convivência e deliberação. Nesse contexto, a profissionalização da gestão aparece como um dos pilares centrais da governança. Ela implica reconhecer que a empresa deve ser conduzida com base em critérios de competência, eficiência e meritocracia, e não apenas pela condição de herdeiro. Embora não signifique afastar os familiares da administração, a profissionalização demanda que os membros da família sejam devidamente preparados por meio de formação acadêmica, experiências práticas e, muitas vezes, vivência em outras organizações antes de assumirem cargos estratégicos. Essa preparação assegura que as decisões empresariais não sejam pautadas apenas por vínculos afetivos, mas também por habilidades técnicas e visão de mercado. Em situações nas quais não há herdeiros aptos ou interessados em liderar, a contratação de gestores externos pode se apresentar como alternativa, desde que acompanhada por mecanismos de governança que garantam o alinhamento entre os valores da família e os objetivos da empresa (Oliveira; Albuquerque; Pereira, 2012, p. 180). A ausência de profissionalização tende a gerar favoritismos, conflitos e perda de competitividade. Muitas vezes, a condição de herdeiro é confundida com a capacidade de gestão, o que leva a decisões equivocadas e à desorganização da empresa. Para evitar tais riscos, a governança estabelece regras objetivas para o ingresso de familiares na administração, define critérios de desempenho e institui fóruns de decisão que separam os aspectos emocionais das deliberações empresariais. O Conselho de Família e o Conselho de Administração são exemplos de instâncias que contribuem para

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