Empresa, sociedade e tecnologia: sob a ótica sistêmica e econômica

Maria Eugênia Pereira Saraiva Silveira 165 estruturar esse processo: o primeiro atua como espaço de diálogo sobre valores, expectativas e estratégias de longo prazo, enquanto o segundo se volta para a supervisão estratégica e a avaliação da gestão (Oliveira; Albuquerque; Pereira, 2012, p. 181). Paralelamente à profissionalização, destaca-se o papel do protocolo familiar como instrumento de governança. Trata-se de um documento construído coletivamente pelos membros da família empresária, no qual se estabelecem princípios, valores, direitos e deveres relacionados tanto à família quanto à empresa. Mais do que um contrato formal, o protocolo constitui um pacto ético e cultural que orienta a conduta dos familiares no relacionamento com o negócio. Entre seus conteúdos mais comuns estão regras para ingresso de herdeiros na empresa, critérios de remuneração, políticas de distribuição de lucros, estratégias para resolução de conflitos e princípios de sucessão (Velloso et al., 2021, p. 1). A elaboração do protocolo familiar tem um efeito pedagógico, pois envolve diálogo entre gerações e exige que os membros da família explicitem suas expectativas, divergências e compromissos. Esse processo contribui para reduzir tensões, fortalecer a confiança mútua e alinhar visões de futuro. Ainda que o protocolo não possua caráter jurídico obrigatório, sua força reside no consenso construído e na legitimidade conferida pelos próprios familiares, tornando-se, portanto, um importante mecanismo de prevenção de disputas e de fortalecimento da governança (Cardoso, 2017, p. 33). Ao integrar profissionalização e protocolo familiar, a governança nas empresas agropecuárias atinge um patamar mais elevado de organização. De um lado, garante-se que a gestão seja conduzida com competência e racionalidade; de outro, assegura- -se que os valores da família sejam preservados e transmitidos às novas gerações. Essa combinação é decisiva para reduzir os riscos de fragmentação patrimonial, assegurar a sustentabilidade das atividades produtivas e promover a longevidade da empresa ao longo das gerações. Em síntese, a governança, quando apoiada em práticas de profissionalização e na formalização de um protocolo familiar, revela-se um instrumento indispensável para a continuidade das empresas familiares agropecuárias, conciliando tradição, identidade e eficiência administrativa (Cassilas Bueno; Fernández; Sanchez, 2007).

RkJQdWJsaXNoZXIy MjEzNzYz