Governança como estratégia de continuidade da empresas familiares agropecuárias 166 CONSIDERAÇÕES FINAIS As empresas familiares agropecuárias constituem a espinha dorsal do agronegócio brasileiro e possuem papel fundamental não apenas na geração de riqueza, mas também na preservação de valores, tradições e identidades ligadas ao campo. Entretanto, sua continuidade ao longo das gerações permanece um grande desafio, marcado por conflitos internos, ausência de planejamento e indefinição de papéis entre família, propriedade e gestão. O presente estudo buscou refletir sobre a importância da governança nesse contexto, destacando especialmente a profissionalização da gestão e a adoção do protocolo familiar como instrumentos essenciais para assegurar a perenidade dessas organizações. Constatou-se que a mera transferência de patrimônio não garante a continuidade da empresa. É necessário preparar herdeiros, estabelecer regras claras de atuação e criar instâncias formais de decisão que permitam equilibrar interesses divergentes. A profissionalização, nesse sentido, emerge como condição indispensável, pois assegura que a gestão seja pautada por competência, meritocracia e eficiência, preservando a competitividade do negócio frente às demandas de um mercado cada vez mais dinâmico. Da mesma forma, o protocolo familiar mostrou-se fundamental como mecanismo de prevenção de conflitos e de alinhamento de expectativas. Sua elaboração, construída a partir do diálogo entre as gerações, fortalece a confiança mútua e formaliza compromissos que norteiam tanto a vida familiar quanto a gestão empresarial. Embora não possua caráter jurídico obrigatório, o protocolo exerce força moral e cultural. Em síntese, a pesquisa confirmou a hipótese de que a governança, quando apoiada na profissionalização da gestão e no protocolo familiar, representa um dos caminhos mais eficazes para enfrentar os desafios sucessórios das empresas familiares agropecuárias. Trata-se de uma prática que integra valores, cultura e gestão eficiente. A clareza de papéis, a preparação das novas gerações e o fortalecimento de fóruns de decisão são, portanto, elementos determinantes para que essas empresas não apenas sobrevivam, mas se consolidem como protagonistas do desenvolvimento econômico e social no meio rural brasileiro.
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